Caçula do Brasil no Mundial de ginástica artística, a carioca Bruna Leal salvou a seleção feminina do país na competição disputada em Londres. Nesta quarta-feira, a ginasta confirmou a fama de promessa e assegurou vaga na final do individual geral, a única decisão do time feminino brasileiro na Arena O2.
Caçula da seleção feminina, Bruna, de 16 anos, foi a única a conseguir alcançar uma final em Londres
Bruna participou logo da primeira bateria das eliminatórias desta quarta e conseguiu uma sexta colocação parcial (52,850 pontos). Depois, nas quatro baterias restantes, durante quase 10 horas, a jovem atleta de 16 anos teve de controlar a ansiedade enquanto via outras competidoras a ultrapassarem na tabela. No final, ficou com a 23ª posição, entre as 24 classificadas para a decisão.
Apesar de ser estreante em Mundiais, Bruna admitiu que esperava ainda mais de sua performance. "Poderia ter ido ainda melhor, mas realizo um sonho de chegar à final de um Mundial", comentou a jovem atleta.
Para Iryna Ilyashenko, o mais importante no momento é que Bruna, estreante em Mundiais, ganhe experiência. "Ela não fez o máximo que podia. Espero que pegue experiência, mas acho difícil dar esse 'máximo' na sexta-feira [dia da final]. Bruna ainda é jovem e psicologicamente será complicado, mas treinadora sempre espera", afirmou a ucraniana.
O Brasil ainda tinha chances de colocar outra ginasta na final do individual geral, Ethiene Franco, uma das 'veteranas' do grupo e única a já ter disputado uma Olimpíada. Mas as falhas logo no primeiro aparelho tiraram dela qualquer chance de avançar na competição.
Ethiene começou a disputa pela trave e teve nada menos do que duas quedas. Os erros lhe custaram pontos valiosos, e a ginasta conseguiu apenas 11,300 pontos no aparelho. Em seguida, ela melhorou no solo e cravou 13,450. No salto, porém, Ethiene voltou a errar, pisou fora da linha na aterrissagem de seu primeiro salto e acabou desistindo do segundo. A paranaense fechou sua campanha com uma apresentação regular nas barras paralelas (13,300), longe das performances que a fizeram conquistar quatro bronzes neste aparelho em etapas de Copa de Mundo neste ano.
Iryna Ilyashenko revelou que esperava que Ethiene chegasse à final e demonstrou certa frustração. "Esperava duas vagas, mas infelizmente essas coisas acontecem", resumiu a técnica.
Apesar da final alcançada por Bruna Leal, esta será a primeira vez em sete anos - ou cinco Mundiais - que o Brasil não coloca uma ginasta em decisão por aparelho. Daiane dos Santos foi finalista de solo em Anaheim-2003 (onde conquistou o ouro), Melbourne-2005 e Aarhus-2006. Também em 2006, Laís Souza chegou às finais de solo e salto. Por fim, em 2007, Jade Barbosa, que assegurou o bronze no individual geral, ainda esteve nas decisões de trave e de salto.
Bruna Leal disputará a final na sexta-feira. Amanhã será a vez de o ginasta Sérgio Sasaki tentar uma inesperada medalha no individual geral masculino, enquanto Arthur Zanetti, entrará no tablado no sábado, sendo o primeiro brasileiro a chegar à uma final nas argolas.
*Colaborou Paula Almeida, em São Paulo