A seleção brasileira feminina de handebol terá um novo técnico para os próximos três anos, até as Olimpíadas de Londres. Para tentar alcançar melhores resultados e mudar até mesmo o estilo de jogo da equipe, a Confederação Brasileira de Handebol escolheu um treinador do "país do handebol". Parece exagero, mas não é. Morten Soubak vem da Dinamarca, lugar onde a modalidade pode ser considerada uma excelência.
O país nórdico é conhecido no Brasil, principalmente, pelas suas musas loiras, altas, de olhos claros. No entanto, as beldades locais mostraram nos últimos anos que são muito boas dentro das quadras. Da década de 90 para cá, a Dinamarca conquistou títulos de expressão internacional, especialmente, no feminino.
Desde 1993, os times femininos dinamarqueses conquistaram quatro Copas dos Campeões da Europa - três do Slagelse DT e uma do Viborg HK. Além disso, no mesmo período, a seleção do país alcançou três títulos e dois vices no Europeu, ficando atrás apenas da Noruega, que tem um bronze a mais, além do Mundial feminino em 1997. No âmbito olímpico, a Dinamarca soma três ouros nos quatro últimos Jogos, contando feminino e masculino.
Segundo Soubak, a escola nórdica tem algumas características que podem ser muito bem aproveitadas pela seleção brasileira. "Primeiro, as jogadoras são tecnicamente muito fortes e jogam muito bem coletivamente. Segundo, alguns estudos dão conta que a escola nórdica joga mais por fora da quadra, trabalha a bola até chegar na lateral. A filosofia da defesa é muito forte, com goleiras muito boas, treinadas para defender e acionar rápido o contra-ataque", justificou.
No país do norte da Europa, a modalidade pode ser comparada com o vôlei brasileiro, que cresceu muito após os primeiros títulos conquistados. "O handebol não é o primeiro esporte da Dinamarca, mas ficou muito popular na década de 90, quando começou a passar na televisão. Os títulos europeus, mundiais e olímpicos também contribuíram muito para isso", afirmou Morten Soubak.
De acordo com o técnico, existem grandes diferenças entre o handebol nos dois países. "Primeiro, as crianças dinamarquesas podem começar nos clubes com 4 anos, enquanto aqui [Brasil] é difícil achar clubes onde se possa jogar. Aqui, começam bem mais tarde, jogam apenas no colégio", ressaltou.
Desde criancinhaO ex-jogador do Hebraica, Fernando Galender, 24 anos, atuou durante seis meses em um time da segunda divisão dinamarquesa e ficou surpreso com a qualidade dos pequenos atletas do país, realidade muito diferente da do Brasil.
"É impressionante o treino dos garotinhos de 10 anos. Eles jogam um handebol totalmente estruturado, com formação tática de adultos, só não têm tamanho e força igual. Eles assistem aos jogos dos adultos, pedem autógrafos, são fanáticos", elogiou.