UOL Esporte Handebol
 
22/10/2009 - 07h00

Após fracassos, seleção feminina admite inconstância; CBHb 'culpa' ex-técnico

Felipe Munhoz
Em São Paulo
Há pouco mais de dois anos, a seleção feminina brasileira de handebol conquistava a medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro e, em meio à euforia, falava em trazer medalha nas Olimpíadas de Pequim. A expectativa de pódio virou um modesto nono lugar, que, segundo o presidente da CBHb (Confederação Brasileira de Handebol), Manoel Luiz Oliveira, teve a ver com erros de escalação do antigo técnico, o espanhol Juan Oliver. Agora, o time se prepara o Mundial, que acontece em dezembro na China, mas, inconstante, ainda não faz frente às potências europeias.

BRASIL SOFRE COM A INCOSTÂNCIA

  • Reuters

    De acordo com a pivô Dara, o Brasil sofre com a inconstância desde os Jogos Olimpícos de Pequim

"Nós demos o que podíamos e, com o que nós tínhamos, nós acreditávamos que podíamos. Eu não convoco e não desconvoco. Mas eu fui técnico da seleção, fui técnico de time de handebol, ganhei título e aprendi com a minha experiência de vida. O técnico se equivocou em alguns nomes. Ele levou algumas jogadoras que não estavam numa fase boa e isso causou desgaste em algumas atletas. Além disso, houve outros erros, é claro", afirmou o presidente Manoel Luiz Oliveira, em entrevista ao UOL Esporte.

Depois das Olimpíadas, a equipe mudou de treinador, saiu Juan Oliver e entrou o dinamarquês Morten Soubak. Desde que assumiu, a competição mais importante que o novo comandante teve pela frente foi o Pan-Americano. O time jogou desfalcado, é verdade, mas o fato é que o Brasil perdeu para a Argentina e teve uma hegemonia de seis títulos interrompida.

PROBLEMAS NA EUROPA, DE ACORDO COM O TÉCNICO

Pouco tempo A seleção não fez nenhum treinamento, pois teve que esperar a final dos Jogos Abertos para embarcar
Política Três atletas convocadas pelo técnico, que atuam na Áustria, não foram liberadas para os amistosos. No entanto, colegas da mesma equipe, puderam defender a Noruega
Voo No curto período de amistosos, o Brasil teve que enfrentar uma hora de voo da Dinamarca para a Noruega
Erros Na vitória contra a Noruega, a equipe cometeu cinco erros. Contra a Dinamarca, foram 15 erros em 30min
Caras novas Algumas atletas ainda não haviam defendido o Brasil sob o comando de Morten Soubak
Segundo Manoel Oliveira, a derrota na competição foi um risco calculado. "O Pan-Americano para nós é muito importante, ficamos chateados de não conquistar. Mas não se treinou o suficiente e demos ao técnico a liberdade de formar o time dele, para testar jogadoras. Estamos no momento de dar a oportunidade para ele fazer os testes dele", disse.

Após o Pan da modalidade, a seleção feminina reuniu atletas que atuam no exterior - algumas pela 1ª vez com o novo comandante - e fez quatro amistosos na Europa. Contra a Dinamarca foram duas derrotas: 25 a 24 e 26 a 13. Diante da Noruega, o Brasil conseguiu uma surpreendente vitória no primeiro embate por 33 a 32, mas perdeu o segundo por 33 a 25.

"A Noruega jogou completa, a nossa equipe jogou muito bem. Não erramos fundamentos, jogamos muito, muito correto. No segundo jogo erramos, não fizemos um jogo inteligente e mostramos uma inconstância. Essa inconstância de não repetir o mesmo desempenho nos atrapalha muito e temos que trabalhar isso", disse a pivô Fabiana Diniz "Dara", que joga no Balonmano Elda (Espanha), e esteve em Pequim com a seleção.

De 1993 para cá, a seleção da Dinamarca alcançou três títulos e dois vices no Europeu, ficando atrás apenas da Noruega, que tem um bronze a mais. Os dois países também conquistaram um Mundial cada. No âmbito olímpico, a Dinamarca soma três ouros nos quatro últimos Jogos, contando feminino e masculino, enquanto a Noruega soma um bronze e um ouro.

"O tempo foi muito curto e não teve como mudar isso. Fizemos quatro jogos em cinco dias. Então, foi meio puxado e eu tive a oportunidade de conhecer um grupo pela primeira vez. Aconteceu a final dos Jogos Abertos no mesmo dia que nós íamos ir embora. Treino não teve, mesmo assim deu para agregar alguma coisa nos quatro jogos", destacou o treinador Morten Soubak.

Em meio aos problemas, o dinamaquês viu coisas boas e prometeu melhoras no time. "Eu sei que vão falar que perdemos, mas aí você ganha da Noruega e causa a maior surpresa dos amistosos do mundo no ano. Nós temos um bom nível, mas estamos instáveis. Mesmo assim, mostramos que de vez em quando nós vamos chegar", disse.

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