UOL Esporte Hipismo
 
10/09/2009 - 07h06

Garantido na seletiva dos Jogos Equestres, Totty Miranda tenta superar 2008

Rubens Lisboa
Em São Paulo
A pouco mais de um ano para o início dos Jogos Mundiais Equestres de Kentucky, nos Estados Unidos, o cavaleiro paulista Bartholomeu Bueno de Miranda Neto, o Totty, é o único saltador brasileiro já classificado para a final da seletiva. No total, serão quatro os representantes do país na competição que é considerada uma Olimpíada pelos praticantes do hipismo.

Alexandre Vital/Divulgação
Bartholomeu Bueno de Miranda Neto vence a final do Brasileiro de saltos
Jogos Equestres Mundiais
Ocorrem a cada quatro anos e são considerados tão importantes quanto os Jogos Olímpicos para os competidores do hipismo. A competição já cinco edições disputadas: Estocolmo (SUE), em 1990; Haia (HOL), em 1994; Roma (ITA), em 1998; Jerez de la Frontera (ESP), em 2002; Aachen (ALE), em 2006. A próxima edição ocorre em Kentucky, nos Estados Unidos, entre 25 de setembro e 10 de outubro de 2010. As modalidades disputadas na próxima edição serão: adestramento, atrelagem, concurso completo de equitação, enduro, rédeas, saltos e volteio, além do paraequestre, que estréia nesta edição. O cavaleiro Rodrigo Pessoa conquistou a única medalha de um representante brasileiro nos Jogos Equestres ao ser campeão de saltos na edição de Roma-1996.
Critérios de classificação nos saltos
A Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) define a equipe após duas fases seletivas. A primeira é disputada em 2009, dividida entre os conjuntos (cavalo/cavaleiro) que competem no Brasil e os do exterior. Classificam-se os três cavaleiros com os melhores resultados em concursos de obstáculos entre 1,50m e 1,55m, além do campeão brasileiro sênior. No exterior são classificados os quatro melhores conjuntos com em cinco GPs de nível 4 e 5 estrelas. Na fase final, oito conjuntos pré-classificados disputam as seletivas finais na Europa, entre 4 de maio e 29 de agosto de 2010. Garantem vaga em Kentucky os 5 mais bem classificados, quatro titulares e um reserva.
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Aos 37 anos, Totty conquistou o Campeonato Brasileiro Sênior de 2009 montando o cavalo Daslu Reebok Sport Club Replay e tenta não repetir o fracasso do ano passado. Na época, ele garantiu classificação para a última seletiva para os Jogos Olímpicos de Pequim, mas não conseguiu a vaga na disputa com Bernardo Alves, Doda Miranda, Pedro Veniss e Rodrigo Pessoa, cavaleiros que competem na Europa, além de Camila Mazza, a única residente no Brasil a se classificar.

Inspirado no desempenho de Camila, o cavaleiro espera que desta vez as suas chances de disputar a competição não sejam desperdiçadas. Em Pequim, a amazona foi como reserva da equipe brasileira, mas ganhou uma chance entre os titulares com a contusão da égua montada por Doda. Com as desclassificações de Bernardo Alves e Rodrigo Pessoa, ambos com seus cavalos flagrados em exame antidoping, e a eliminação de Pedro Veniss, que sofreu uma queda durante o percurso, Camila terminou como a brasileira mais bem colocada nas Olimpíadas.

Totty acredita que o resultado da amazona e a participação de César Almeida na disputa dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, quando os brasileiros foram medalhistas de ouro na competição por equipes, mostram que a polêmica seletiva para o Pan, em que os cavaleiros erradicados na Europa se negavam a saltar no Brasil sob a alegação de que competiam em provas de maior nível, não faz mais sentido.

"O César Almeida foi para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e eles tiveram de contar com os resultados dele para conquistar o ouro. E ele estava saltando no Brasil. A Camila Mazza foi a melhor brasileira nas Olimpíadas de Pequim e também salta aqui", afirma Totty.

Para o cavaleiro, após a disputa que foi parar nos tribunais e causou uma divisão com os ginetes que competem no exterior. "Hoje, com as seletivas feitas no Brasil, é maior o nível técnico. Você já chega com nível de competição e tem preparação especifica para diminuir a desvantagem", avalia o cavaleiro.

Há 20 anos competindo em provas equestres, o sobrenome Miranda ainda causa certa confusão. Amigo de Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, Totty afirma que algumas pessoas já chegaram a o tratar como irmão do cavaleiro medalhista olímpico.

"O pessoal confunde bastante, é mais quem não é do meio do hipismo mesmo. Eu e o Doda temos a mesma idade, 37 anos, sempre tivemos um bom relacionamento, inclusive, eu já recebi patrocínio do pai dele", afirma Totty.

Até o final deste ano, ele não pretende participar de muitos concursos. Como disputa a fase final da seletiva para os Jogos Equestres apenas em março, deve poupar seu cavalo para não chegar sem alto nível de prova às vésperas de disputar sua classificação.

"Não vou usar meu principal cavalo. Vou procurar fazer uma preparação um pouco mais cedo. Se ficar competindo muito aqui, você desgasta o cavalo e, na hora que precisar para competir nos Jogos Equestres", afirmou o cavaleiro.

Perto de vaga, brasileiro pode não ir à Copa do Mundo de saltos
Um dos melhores cavaleiros brasileiros na atualidade, o paulista José Roberto Reynoso Fernandez Filho ainda tenta uma vaga na final da seletiva para os Jogos Mundiais Equestres. Além disso, está próximo de garantir classificação para a Copa do Mundo de saltos, prova anual que será disputada em Genebra, na Suíça, entre 14 e 18 de abril de 2010.

Alexandre Vital/Divulgação
José Roberto Reynoso Filho é o segundo colocado da Liga Sul-Americana de saltos
LUIZ FRANCISCO VENCE SELETIVA
Atualmente, ele aparece na segundo posição no ranking da Liga Sul-Americana, o que lhe garante a vaga. Mas, mesmo que se classifique, pode até não competir caso não tenha um cavalo capaz de vencer a competição internacional, assim como fez ao abdicar da seletiva olímpica para Pequim-2008.

"A gente tem de ver e estudar um pouco, porque é um custo alto. Já obtive classificação antes para a Copa do Mundo, mas não fui porque o cavalo que eu tinha não era suficiente para fazer boa apresentação", afirma Fernandez, que tem entre os seus melhores resultados a vitória em uma das provas do Athina Onassis International Horse Show de 2007, em São Paulo.

O cavaleiro de 29 anos é filho de José Roberto Reynoso Fernandez, o Alfinete, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg-1967, e morreu em 2002, aos 54 anos. "Eu montava com ele, sempre tive muita ligação com o meu pai. Mas acabamos competindo muito pouco juntos", lembra Fernandez.

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