Comparar o Pan-Americano com o Mundial de Judô pode ser covardia. O primeiro tem brasileiros e cubanos e mais alguns poucos destaques. O segundo conta com a elite da modalidade no planeta. A confiança conquistada no Pan, porém, pode ser muito últil no Mundial do Rio de Janeiro, que começa nesta quinta-feira.
Com 13 medalhas conquistadas em 14 possíveis, a equipe brasileira espera levar o sucesso nos tatames do Pan para o Mundial. A distância para isso é pequena fisicamente: são pouco mais de dez minutos entre o Riocentro, onde foram conquistadas as medalhas no Rio 2007, para a Arena Multiuso, onde os judocas começam a lutar nesta manhã.
Tecnicamente, a distância é muitas vezes maior. "Não dá nem para comparar. O nível técnico e a dificuldade são bem maiores. É 50 vezes pior que o Pan. Mas é claro que o resultado do Pan deu uma motivação maior", admite Danielle Zangrando, dona da primeira medalha em Mundiais do judô feminino brasileiro, bronze em 1995 e campeã pan-americana.
"É uma competição pedreira, muito diferente do Pan e até da Olimpíada, que, por causa do tamanho da chave, que é menor. São 130 países inscritos e isso é uma maratona, uma loucura. Prova é que só em 2005 a gente conquistou o primeiro ouro em Mundial. Quantas medalhas a gente já tinha em Olimpíadas? Mas o ouro só veio no Mundial passado, com o Derly", completa a técnica da equipe feminina, Rosicléia Campos.
A estratégia para que o bom momento da modalidade continue foi a continuidade. O time do Pan do Rio é praticamente o mesmo. Só três caras diferentes aparecem no time masculino, com Carlos Honorato, Daniel Hernandes e Breno Alves. O primeiro entra na vaga de Tiago Camilo, que desceu de categoria para lutar no lugar do lesionado Flávio Canto. O segundo compete no absoluto, categoria que não foi disputada no Pan. O terceiro vai no lugar do cortado Alexandre Lee. Entre as mulheres, o time é o mesmo.
"O time é forte e pode fazer bonito. É claro que alguns tem mais chances do que outros. Se formos olhar os últimos resultados, o João Derly e o Tiago Camilo são favoritos para as medalhas brasileiras, mas todos podem surpreender. A entrada do Honorato já estava definida desde antes do Pan e o Daniel é um atleta experiente e no mesmo nível dos outros. Como o Mundial é no Brasil, resolvemos colocar o maior número de judocas que podíamos", explica o técnico do time masculino, Luiz Shinohara.
Em relação ao último Mundial, porém, as mudanças são grandes. Dos 15 atletas inscritos, 14 estiveram no Cairo, em 2005. Mesmo assim, o número de estreantes não é tão grande. Apenas quatro atletas (Breno Alves, Mayra Aguiar, Danielli Yuri e Érika Miranda) nunca disputaram a competição.
O Mundial começa nesta quinta-feira, com lutas a partir de 10 horas. O primeiro dia terá as categorias pesado e meio pesado, dos brasileiros João Gabriel Schlittler, Luciano Corrêa, Priscila Marques e Edinanci Silva.