Desde o Pan-Americano do Rio de Janeiro, as judocas brasileiras batem em uma tecla: independência. Com duas medalhistas em Campeonato Mundiais na equipe, as garotas querem deixar a aba dos homens e brilhar por si mesmas.
No Pan já foi assim, com dois ouros, quatro pratas e um bronze, pela primeira vez obtendo um desempenho melhor do que o do time masculino. "O que as pessoas não lembram é que não é só isso. Antes do Pan, conquistamos a etapa de Hamburgo da Copa do Mundo, com as melhores judocas presentes. O judô feminino está evoluindo e estamos comprovando isso com resultados", brada a campeã pan-americana Danielle Zangrando.
Danielle, ao lado de Edinanci Silva, já sentiu o gosto de subir ao pódio em um Mundial. Foi bronze em 1995, apenas aos 16 anos. Edinanci é dona de duas medalhas de bronze, em 1997 e 2003. As duas são as grandes esperanças de medalhas, mas, segundo a técnica Rosicléia Campos, atleta olímpica em 1992, não são as únicas.
"Temos atletas experientes, como a Dani e a Ed, que já foram medalhistas, mas temos também a Priscila (Marques), que já ficou em quinto lugar no Mundial. E as novinhas que estão chegando, a Yuri, a Polzin, a Mayra, a Érika, que estão fazendo o dever de casa direitinho", diz a treinadora.
Rose, como é chamada pelas atletas, aliás, é a grande artífice da mudança do judô feminino. Desde que ela assumiu a seleção, separou as viagens das mulheres para a Europa da seleção masculina e deu uma identidade para o time. "Nunca tivemos um time tão homogêneo, em que do ligeiro ao pesado podem medalhar no Mundial", diz Daniela Polzin.
O foco de todas, porém, não é na conquista de medalhas. "Não estou colocando medalha como objetivo. No Pan, era diferente. Queríamos medalhas para mostrar que podíamos ganhar, que dava pra bater as cubanas. Fizemos isso. No Mundial, nosso foco agora é a vaga olímpica", afirma a treinadora, lembrando que as cinco primeiras garantem vaga nos Jogos de Pequim.