Primeiro brasileiro a lutar, João Gabriel Schlittler foi também o primeiro a ganhar uma medalha. Após Luciano Corrêa garantir vaga na final dos meio pesados, o pesado carioca enfrentou o japonês Kosei Inoue, tricampeão mundial e campeão olímpico.
Estrela entre os meio pesados e lutando uma categoria acima, Inoue travou uma luta disputada com o brasileiro, que abriu vantagem de um koka no meio do combate. Ouvindo as instruções de Henrique Guimarães, que assumiu o posto de Luiz Shinohara ao lado do tatame, o carioca levou a luta em vantagem a um minuto do final, quando conseguiu jogar o japonês de costas para o chão, mas fora da área de luta.
"Mesmo o Inoue, que é menor, estava mais pesado do que eu. Ele pesou 112 kg e eu, 108. Ele era um adversário perigoso, mas eu lutei mais solto. Sabia que ele era mais rápido e técnico, mas o jogo encaixou", disse o carioca, elogiando a torcida. "Se não fosse por eles, dificilmente eu teria a mesma força".
João Gabriel foi beneficiado pelo sorteio no começo do Mundial de Judô. Nas primeiras rodadas, o brasileiro não precisou enfrentar nenhum representante de potências da modalidade. Na semifinal, porém, não conseguiu escapar de um favorito.
Mais de três horas depois de disputar as quartas-de-final, ele encarou o russo Tamerlan Timenov, vice-campeão olímpico e mundial e seis vezes campeão europeu, um dos favoritos na categoria. Perdeu para o favorito e lutou pela medalha de bronze contra um lutador ainda mais famoso.
Contra Timenov, o brasileiro equilibrou a luta, mas em um momento de desatenção, Timenov acertou um golpe e aplicou o ippon. No último Mundial, em 2005, quando Schlittler estreou na competição, ele já tinha enfrentado o russo. Na segunda rodada da categoria absoluto, sem limite de peso, Timenov venceu e jogou o brasileiro para a repescagem - na seqüência, Schlittler perdeu pela segunda vez e foi eliminado.
"Meu jogo não encaixa contra esse russo. Ele é muito mais pesado e eu sinto muita dificuldade", conta o brasileiro. "Eu já tinha perdido para ele e voltei a sentir dificuldade. No ippon, eu protegi um lado forte dele, mas ele aproveitou um descuido meu para vencer".
O torneio começou perfeito para Schlittler. Ele foi o primeiro brasileiro a subir ao tatame, mas enfrentou um adversário frágil, perfeito para afastar o nervosismo da estréia. Ele precisou só de três minutos para vencer por ippon o senegalês Djéguy Bathily. Na segunda rodada, outra luta fácil, venceu o islandês Thormodur Jonsson por imobilização.
As dificuldades começaram nas oitavas-de-final, em que bateu o esloveno Matjaz Ceraj por ippon a menos de dois minutos do final. Nas quartas, o rival foi o uzbeque Abdullo Tangriev, bronze no Mundial de 2003. Logo no primeiro minuto, ele permitiu um golpe de Tangriev, que abriu um koka na frente.
A dois minutos do final, ele empatou o placar e acendeu a torcida e, sob os gritos de "João, João", ele passou a atacar e quase levou um golpe a menos de dois minutos do final. Medalhista olímpico, o hoje técnico Henrique Guimarães gritava da lateral. Quando o uzbeque tentou um ataque, a torcida reclamou um falso ataque. Pouco depois, Tangriev foi punido e garantiu a vitória para o brasileiro.