Enquanto os brasileiros que lutam nesta sexta-feira são bem conhecidos, as brasileiras disputam o Mundial pela primeira vez. A médio (70 kg) gaúcha Mayra Aguiar, de 16 anos, e a meio médio (63 kg) paulista Danielli Yuri, de 23 anos, chegam agora ao cenário internacional, sob olhares curiosos.
"Tem espionagem mesmo. Ninguém me conhece e todo mundo fica olhando, curioso", diz Yuri, que morou por dez anos no Japão e só começou a competir internacionalmente nesse ano, quando bateu a veterana Vânia Ishii por uma vaga na seleção. "" No Ibirapuera, me filmaram e as suíças, que estavam treinando por lá, sempre me chamavam para treinar com elas", lembra a medalhista de prata no Pan.
Um pouco mais conhecida, Mayra também vê a espionagem. "Eu sinto isso e acho que o Brasil deveria contra-atacar, ter também espiões. Já estamos filmando as principais adversárias, agora temos que fazer como os europeus, que mandam duas, três pessoas, uma para filmar e outras para anotar detalhes dos lutadores", pede a gaúcha.
Medalhista de bronze no Mundial júnior do ano passado e prata no Pan do Rio, Mayra vê uma coincidência com a primeira medalhista brasileira em mundiais, Danielle Zangrando, para sonhar com o pódio: quando a paulista foi bronze, no Mundial de 1995, tinha a mesma idade de Mayra.
"A Danielle ganhou sua medalha em Mundial quando tinha a minha idade. Isso mostra que é possível ir lá e buscar uma medalha. É só querer e ter determinação que dá", diz a judoca gaúcha, que treina ao lado do campeão mundial João Derly e do medalhista olímpico Tiago Camilo em Porto Alegre.
As duas terão adversárias difíceis pela frente no começo do Mundial. Yuri estréia contra a austríaca Claudia Heill, vice-campeã olímpica em Atenas, e ainda está no mesmo lado da chave da cubana Driulis Gonzalez, sua algoz no pan e campeã olímpica e mundial. Mayra estréia contra a polonesa Katarzyna Pilocik, vice-campeã européia, e está na chave da japonesa Iwasaki Asuka.