Quando Luciano Corrêa derrubou o britânico Peter Cousins no final da noite de quinta-feira, coroou a história da categoria mais premiada do judô brasileiro. Os meio pesados verde-amarelos, com nomes como Aurélio Miguel e Chiaki Ishii, já tinham conquistas olímpicas e pan-americanas, mas ainda não tinham o lugar mais alto do pódio em Mundiais.
Miguel, por exemplo, foi campeão olímpico em Seoul-1988, mas em Mundiais conquistou "apenas" duas pratas e um bronze. Incluindo essas conquistas, é a classe em que os brasileiros mais obtiveram sucesso na história da modalidade, com quatro medalhas olímpicas e oito em Mundiais.
"Eu fico feliz por conseguir continuar essa tradição brasileira que é a do meio pesado. Estou muito feliz por finalmente ter conseguido o ouro. Que venham mais conquistas pela frente", disse o judoca, sem esconder a emoção.
O finalmente de sua afirmação tem a ver com uma série de bronzes do atleta. Ele já foi terceiro colocado em um Mundial Universitário, no último Mundial adulto, no Cairo, em 2005, e no Pan-Americano do Rio, em julho. "Fazia tempo que batia na trave. Eu vinha perseguindo a vitória e ela não vinha. Para ganhar ouro no Mundial, tem que estar muito bem no dia, sem errar anda. E hoje, pra mim, tudo foi maravilhoso", comemorou.
"A ficha de ser campeão está caindo aos poucos. O dia de hoje deu muito certo e espero comemorar bastante. Ainda não deu tempo de comemorar com quem eu amo. A conquista não é só minha. O judô é individual, mas você precisa de todo mundo", afirmou o judoca, pouco depois de deixar o tatame.
Segundo Luciano, a sua chave, perigosa a princípio, acabou sendo benéfica para ele. Ele estreou contra o atual campeão olímpico, Igor Makarov, de Belarus, e ainda enfrentou o campeão europeu, o húngaro Dániel Hadfi, no caminho pelo segundo ouro da história do Brasil na competição.
"A primeira luta foi a que mais me preocupou. Além de estar ansioso pela estréia, de estar preocupado em me aquecer e sentir o clima da competição, ainda tinha de enfrentar o campeão olímpico. Mas logo depois disso, foi uma porta que se abriu e eu fui muito mais confiante para a conquista", analisou Luciano.
Apesar da confiança, Luciano ficou perto da derrota contra o inglês Cousins, na final. Ele começou perdendo, só empatou no final, antes de aplicar o ippon, o golpe vencedor do judô. "Eu sou assim. Acredito até o fim. Minha principal característica é ser perseverante".
Apesar do título ter garantido os meio pesados do Brasil nas Olimpíadas de Atenas, Luciano Corrêa ainda não tem a sua vaga garantida. Por critério estabelecido pela Confederação Brasileira de Judô para a vaga olímpica, entre os homens estaria em Pequim quem fosse campeão pan-americano e chegasse à final do Mundial. Luciano foi bronze no Pan e, por isso, terá de lutar a seletiva brasileira.