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16/09/2007 - 23h02

Com três campeões, Brasil bate potências e é o melhor no masculino

Bruno Doro
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro
"Quando eu lutava, consideraria louco quem dissesse que, um dia, o Brasil seria o melhor país em um Mundial de judô. E olha só o que aconteceu hoje". Com essa frase, Luiz Shinohara, três vezes medalhista pan-americano nos anos 70 e 80 e hoje técnico da seleção masculina, resume o Mundial do Rio de Janeiro.

EFE
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Pela primeira vez desde o Mundial de 1956, em Tóquio, o Brasil terminou em primeiro lugar no quadro de medalhas masculino da competição. Com os ouros do bicampeão João Derly (66 kg), de Tiago Camilo (81 kg) e Luciano Corrêa (100 kg), além do bronze de João Gabriel Schlittler (+ 100 kg), os brasileiros foram os únicos a emplacar mais de um campeão mundial no Rio.

O Brasil terminou à frente de Geórgia e França, com um ouro, uma prata e um bronze. O Japão, que terminou em primeiro lugar no quadro geral, fez só um campeão mundial, no absoluto, com Yasuyuki Muneta, apesar de ter no time estrelas como Kosei Inoue, tricampeão mundial.

"Não vou dizer que foi uma surpresa sair daqui com tantas medalhas. Mas estou, sim, surpreso com as três medalhas de ouro. Sabíamos que o time era homogêneo e que poderia quebrar o recorde de número de medalhas. Mas três ouros era muito otimismo", completa Shinohara.

A ascensão do Brasil chega junto com a decadência do Japão. Após conquistar oito medalhas de ouro e fazer dez finais nos Jogos Olímpicos de Atenas, os japoneses decepcionaram no Rio.

Apesar de voltarem para casa com mais medalhistas do que qualquer outro time, os japoneses conquistaram apenas um ouro, com Ryoko Tamura Tani, agora heptacampeã mundial. A tendência já tinha sido sentida no Mundial do Cairo, em 2005, quando o Japão fez apenas três campeões.

"Eles estão em fase de transição. Estão aprendendo como lutam contra os atletas com estilo do leste europeu. Nós já passamos por isso e já não nos surpreendemos, mas eles ainda estão mudando isso", analisa o técnico brasileiro.

A conseqüência do bom desempenho no Mundial, porém, será uma Olimpíada muito mais difícil em 2008. "Vão nos marcar. Vamos ter que tomar muito mais cuidado e trabalhar muito mais para conseguir surpreender", avisa o bicampeão mundial João Derly.

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