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17/09/2007 - 09h43

Mundial com problemas marca início da "era profissional" do judô

Bruno Doro
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro
O Mundial do Rio de Janeiro foi um marco para o judô. O Brasil não só se colocou entre as potências da modalidade, mas fez a primeira competição com a nova gestão da Federação Internacional de Judô, que pretende profissionalizar o esporte. Sob o comando do romeno Marius Vizer, porém, a competição carioca foi cheia de problemas.

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Vizer assumiu o comando da entidade na última segunda-feira, após renúncia do coreano Park Young-sung. Ao falar de sua gestão, disse que os judocas iriam virar profissionais, com torneios mundiais remunerados e exposição na televisão.

O que se viu no Brasil, porém, foi um esforço para que o Mundial fosse televisionado. Com os direitos vendidos para a TV Fuji, do Japão, os horários de competição foram definidos para atender ao horário japonês, em detrimento a público e competidores.

As eliminatórias começaram diariamente às 11 horas da manhã e as finais, às 20h45. Entre as quartas-de-final e a semifinal, por exemplo, a maioria dos atletas ficou mais de cinco horas sem competir "Foi uma maratona", admitiu a técnica brasileira, Rosicléia Campos.

Apesar do longo período em que teria de permanecer na arena, o público não tinha a infra-estrutura necessária. Em toda a Arena Multiuso, apenas duas lanchonetes funcionavam, sem comida quente. Nem mesmo nota fiscal era fornecida, violando o código de defesa do consumidor.

Quem quisesse almoçar teria de deixar o ginásio, atravessar a movimentada avenida Abelardo Bueno e comer em um único restaurante, que ficou lotado durante os quatro dias da competição.

Além disso, os resultados e as chaves não eram atualizados rapidamente e o público se perdia ao tentar acompanhar a disputa. Segundo a organização do Mundial, o atraso era causado pela equipe técnica da FIJ. No primeiro dia, o início das lutas atrasou em uma hora. Segundo fontes da organização, a ordem das lutas não teria chegado à tempo nas mãos dos juízes.

A partir do Rio de Janeiro, o Mundial de judô passa a ser uma competição anual. Em anos Olímpicos, como em 2008, será apenas para a categoria absoluto, que não é disputada nos Jogos. No ano que vem, o Mundial está marcado para Macau. "Temos de colocar nossos atletas na televisão o máximo possível", explicou Vizer ao anunciar a decisão.

Bicampeão mundial, o gaúcho João Derly discordou da decisão. "Eu não gosto do conceito de um Mundial anual. Veja as Olimpíadas. Acontecem a cada quatro anos e tudo gira em torno dela. Existe a mística. O Mundial a cada dois anos era assim".

Após o Mundial, a Federação Internacional de Judô não fez nenhuma avaliação da competição. Procurados por jornalistas, os cartolas afirmaram que uma entrevista não estava prevista.

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