A Copa do Mundo de Belo Horizonte escancarou um problema para o judô brasileiro na preparação para Pequim. A pouco mais de três meses da abertura dos Jogos Olímpicos, boa parte da seleção enfrenta problemas físicos. Boa parte deles, com lesões sérias.
Tiago Camilo e João Derly, por exemplo, foram vetados às vésperas do evento mineiro. Camilo sofreu uma entorse no joelho esquerdo e precisa de, no mínimo, duas semanas para se recuperar. Com Derly foi ainda pior: ele torceu o tornozelo descendo uma escada e sofreu ruptura dos ligamentos do pé direito.
Além deles, Leandro Guilheiro desistiu da Copa por causa de uma gastrite, causada por infecção alimentar, e Eduardo Santos voltou a competir recentemente, após uma ruptura parcial dos ligamentos do cotovelo esquerdo.
"Desses casos, o único que foi no tatame foi o do Tiago. O Eduardo se machucou no Japão e já deveria estar melhor. Os outros, foram infelicidades. O que nós podemos fazer é evitar excessos e pedir mais concentração", lamenta o técnico Luiz Shinohara.
Ícone do time feminino, Edinanci Silva admite que está tomando cuidado nessa fase pré-olímpica. "Aqui em Minas, eu dei uma segurada. Não dá para dar tudo o que a gente pode antes da hora, correndo risco de se machucar", explica.
Segundo Shinohara, porém, até as Olimpíadas todos devem estar recuperados. "Eu sei que, até agora, não competimos com 100 %. O ano passado foi muito intenso e, por causa dos bons resultados que tivemos, alguns acabaram caindo no 'oba-oba'. Mas vamos reverter isso", espera o treinador.
O objetivo do técnico é que seus atletas cheguem sem lesão à etapa da Copa do Mundo de Moscou, na Rússia, no final do mês. "Na Rússia, mesmo com os pegadores de perna, vamos mostrar bons resultados. Até lá, devemos estar com 60 a 70 % da preparação. Vamos chegar ao Japão, para a aclimatação, entre 90 e 100 %", diz o treinador, falando sobre o estilo do leste europeu, que usa elementos da luta olímpica.
Após a Copa do Mundo russa, os brasileiros vão para Paris, para treinamento de campo com as equipes da França, do Japão e do Azerbaijão. Depois, os brasileiros voltam para o país, para desafios contra os times de Itália (masculino) e Espanha (feminino), na primeira semana de junho, e Japão (masculino), na segunda semana do mês. No dia 25 de julho começa a aclimatação no Japão, já às vésperas dos Jogos Olímpicos.