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04/07/2009 - 06h48

Após um semestre com novo ranking, judocas já elegem vilão do sistema

Bruno Doro e Felipe Munhoz
Em São Paulo
Desde o início do ano, a Federação Internacional de Judô (FIJ) usa um sistema de ranqueamento que, até 2012, irá definir os judocas classificados para as Olimpíadas de Londres. Em caráter de teste em 2009, o sistema já tem seu vilão: o custo alto.

MEDALHISTAS ESTARIAM FORA COM NOVO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO
Folha Imagem
Caso o novo sistema de classificação olímpico estivesse valendo para 2008, o Brasil não teria dois medalhistas em Pequim-2008. "A Ketleyn (Quadros, medalhista de bronze em Pequim-2008), por exemplo, não teria ido para as Olimpíadas se estivesse valendo este sistema novo. Ela conseguiu a vaga apenas na última competição. Já o Leandro (Guilheiro) foi poupado durante o caminho por causa de lesões. Isso também não seria possível agora", lembra Wilson.

Um dos exemplos citados pelo dirigente, porém, Leandro não tem apenas críticas ao novo ranking. "É uma coisa nova, que ainda estamos experimentando. Eu estou gostando. Cobra mais profissionalismo dos atletas para evitar as lesões, pois se você fica de fora de uma etapa você acaba não pontuando", diz o lutador, que nos últimos quatro anos, fez seis cirurgias.
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Até domingo, o Rio de Janeiro recebe a edição brasileira do Grand Slam da FIJ, um dos cinco torneios mais importantes do ano para a entidade. O evento marca, também, a metade da temporada internacional do judô e os atletas, após um semestre para testar as novas regras e ter uma idéia do que precisarão fazer para chegar às Olimpíadas, já sabem que terão muito a viajar.

"Neste primeiro ano não vale vaga para as olimpíadas, então não precisamos abrir tanto o bolso. Mas isso vai com certeza mudar um pouco as coisas, teremos que estipular o número de viagens possíveis. O problema é que tem país que viaja bastante, como Japão e França", diz Leandro Guilheiro, dono de duas medalhas de bronze.

"Todos os sistemas sempre vão gerar crítica. O ranking vai começar a valer para as Olimpíadas a partir do ano que vem e isso nos favoreceu. Podemos nos preparar melhor para trabalhar com ele. Agora, é certo que os patrocinadores serão mais importantes", completa o bicampeão mundial João Derly.

A maior mudança adotada pela FIJ é que as vagas olímpicas não são mais do país, mas do atleta. No passado, o Brasil, por exemplo, podia fazer um rodízio de judocas em determinada categoria e todos eles somavam pontos para que o país fosse, naquele peso, aos Jogos - o representante era decidido posteriormente, por seletiva.

Agora, cada judoca terá de competir por sua própria vaga. A partir do ano que vem, inclusive, o ranking mundial será cumulativo e os resultados de 2010 ainda estarão valendo em 2012, quando sai a lista de classificados para as Olimpíadas.

"Isso desgasta o atleta e não nos dá a chance de investir de forma igual. A gente tem um orçamento para atender as necessidades. Antes era uma coisa homogênea, agora a gente vai ter que ir gastando na categoria que for indo melhor", reclama Ney Wilson, coordenador de seleções da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Apesar da declaração do dirigente, no primeiro semestre a entidade mais abriu o leque, do que restringiu. Em junho, por exemplo, mais de 100 judocas, divididos em seis delegações, defenderam o Brasil em competições na Europa.

Com tanto investimento, quatro brasileiros terminaram o primeiro semestre do calendário mundial entre os 10 primeiros do ranking mundial. O mais bem colocado é o campeão mundial Luciano Correa (-100kg), que aparece em quarto lugar, com 372 pontos. Luciano foi prata no Grand Slam de Moscou e na Copa do Mundo da Hungria, além de ficar na terceira colocação no Campeonato Pan-Americano.

Entre as mulheres, destaque para Sarah Menezes (-48kg). A brasileira foi campeã das copas do mundo de Portugal e Espanha e está em sétimo lugar com 332 pontos. Completam a lista de top-10 brasileiros Derly, sétimo colocado entre os meio-leves (-66kg), e Guilheiro, nono entre os leves (-73kg).

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