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31/08/2009 - 09h29

Kosovo comemora primeiro Mundial: "éramos vítimas da política"

Bruno Doro
Em Roterdã (Holanda)

O desempenho da equipe de Kosovo no Mundial de Roterdã não foi dos melhores. Quatro atletas competiram na Holanda. Os quatro perderam em sua primeira luta. A participação, porém, foi uma das mais celebradas da competição.

Pode parecer o velho clichê esportivo, mas muito mais do que resultados, a participação foi o que contou para Majlinda Kelmendi (leve, 57kg), Nora Gjakova (meio-leve, 52kg), Zymer Zekaj (leve, 73kg) e Shkumbim Dauti (81kg). Foi o primeiro Mundial de judô que os atletas da região puderam disputar como uma entidade independente.

"É algo que nos deixa muito satisfeitos. Estamos lutando para que nossa independência seja reconhecida e esse é um grande passo. O esporte não tem nada a ver com a guerra. Nós éramos vítimas da política. Não era uma guerra do povo, mas uma guerra dos políticos", explica Driton Kuka, de 37 anos, técnico do time.

A grande esperança do time era a leve Majlinda, de apenas 18 anos. Em competições anteriores, ela lutou pela Albânia - em fevereiro, por exemplo, foi medalhista de bronze na Copa do Mundo de Praga. Em seu primeiro Mundial por seu país (Kosovo competiu como independente, sob a bandeira da Federação Internacional de Judô), foi derrotada por um yuko por Aynur Samat, da Turquia.

"Nós competíamos como Albânia. Por Kosovo, oficialmente, é a primeira vez. Nosso objetivo é conseguir o reconhecimento do COI (Comitê Olímpico Internacional). Para isso, precisamos do reconhecimento da ONU (Organização das Nações Unidas) e de dez federações internacionais. Até agora, já temos três: judô, tênis de mesa e levantamento de peso", conta Kuka.

Segundo o treinador, os problemas políticos com a Sérvia não refletem dentro do tatame. "É claro que nós e os Sérvios temos opiniões diferentes. Mas no tatame, lutadores de Kosovo e da Sérvia já se enfrentaram. O judô é uma comunidade. Não existe política", diz o treinador.

O movimento da FIJ em aceitar a inscrição dos kosovares foi liderada pelo presidente da entidade, Marius Vizer, que foi à região para verificar as condições do judô local. "O caso é simples. Kosovo está competindo como Kosovo. Eles ainda não conseguiram o reconhecimento, mas assim que esse processo for concluído, a FIJ vai também reconhecer", falou Vizer.

Kosovo, uma ex-província da Sérvia com população albanesa, declarou independência unilateral em fevereiro de 2008. A região é administrada pela ONU (Organização das Nações Unidas) desde 1999. A independência não foi reconhecida por todos os 192 países na ONU, mas EUA, Japão e alguns membros da União Europeia consideram Kosovo um Estado. O Brasil, porém, não está nesse grupo.

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