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18/09/2009 - 09h10

CBJ não paga passagens de judocas que vão à Copa do Mundo

José Eduardo Martins
Da Folhapress
Em São Paulo
Os piores tempos do judô brasileiro até parecem estar de volta. Depois do fracasso no Mundial de Roterdã, em agosto, na Holanda, as sete atletas que vão disputar a Copa do Mundo da Inglaterra a partir de sábado tiveram de pagar as suas próprias passagens aéreas para competir na Europa.

Apesar de contar com a verba da Lei Piva, R$ 2,5 milhões, e os patrocínios de Infraero e Mizuno, a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) alegou não ter condições financeiras para arcar com todas as despesas.

"Foi um ano atípico, com mudanças no calendário. Foram incluídas competições em outras categorias [juvenis]", alegou Paulo Wanderley, presidente da entidade. Além disso, o sistema de ranking exige maior participação em eventos internacionais da modalidade.

Pelo sistema, em 2009 serão quatro Grand Slam, cinco Grand Prix e 27 Copas do Mundo. "Uma coisa é clara: quando você quer atingir um nível de excelência não há limite mínimo de recursos", disse.

No total, 15 atletas brasileiros participarão do torneio -sendo oito homens e sete mulheres. Coincidentemente, na Holanda as judocas conquistaram melhores resultados -dois quintos lugares- do que os rapazes -uma quinta posição.

"Não tinha a previsão de ir o feminino. Mas houve o interesse da parte delas e nós autorizamos a participação. Elas não estão pagando tudo, existe uma facilidade em termos de hospedagem e alimentação", minimizou o dirigente.

Os atletas viajam nesta sexta-feira para a Inglaterra e competem no fim de semana. Depois, a delegação permanece na Europa para uma semana de treinamento. "É possível que em outros campeonatos, como este, os homens paguem também", afirmou o presidente.

As atletas receberam no dia 12 de agosto um e-mail da técnica da delegação feminina, Rosicleia Campos, com o primeiro pedido da entidade. Na sequência, o coordenador técnico da CBJ, Ney Wilson, mandou uma carta-convite para todas as atletas. Segundo Ney, o interesse das atletas foi maior do que as vagas.

Ainda para tentar justificar a necessidade das atletas precisarem pagar a passagem, a confederação faz uma comparação com delegações europeias. "A França, com recurso em euros, também adota essa prática. Em alguns campeonatos, vai um grupo por conta da confederação e em outros eles liberam. Não é invenção nossa", disse Wanderley.

No entanto, o custo da passagem do Brasil para a Inglaterra é US$ 1.100,00, de acordo com a própria cotação da CBJ. Já para viajar da França para a Inglaterra um atleta tem diversas opções mais econômicas -até por ônibus ou trem.

"A competitividade é muito grande, e para isso vocês devem buscar apoios e patrocínios que permitam custear algumas viagens, pois a CBJ não terá condições de custear para todas vocês, não que seja a vontade da entidade, mas porque a crise atual não permite", dizia o e-mail de Rosicleia.

Esta não é a primeira vez que a confederação adota esta postura. No Grand Slam de Moscou, em maio, Taciana Rezende de Lima, da categoria até 48 kg, teve de pagar a sua passagem.

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