Os piores tempos do judô brasileiro até parecem estar de volta. Depois do fracasso no Mundial de Roterdã, em agosto, na Holanda, as sete atletas que vão disputar a Copa do Mundo da Inglaterra a partir de sábado tiveram de pagar as suas próprias passagens aéreas para competir na Europa.
Apesar de contar com a verba da Lei Piva, R$ 2,5 milhões, e os patrocínios de Infraero e Mizuno, a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) alegou não ter condições financeiras para arcar com todas as despesas.
"Foi um ano atípico, com mudanças no calendário. Foram incluídas competições em outras categorias [juvenis]", alegou Paulo Wanderley, presidente da entidade. Além disso, o sistema de ranking exige maior participação em eventos internacionais da modalidade.
Pelo sistema, em 2009 serão quatro Grand Slam, cinco Grand Prix e 27 Copas do Mundo. "Uma coisa é clara: quando você quer atingir um nível de excelência não há limite mínimo de recursos", disse.
No total, 15 atletas brasileiros participarão do torneio -sendo oito homens e sete mulheres. Coincidentemente, na Holanda as judocas conquistaram melhores resultados -dois quintos lugares- do que os rapazes -uma quinta posição.
"Não tinha a previsão de ir o feminino. Mas houve o interesse da parte delas e nós autorizamos a participação. Elas não estão pagando tudo, existe uma facilidade em termos de hospedagem e alimentação", minimizou o dirigente.
Os atletas viajam nesta sexta-feira para a Inglaterra e competem no fim de semana. Depois, a delegação permanece na Europa para uma semana de treinamento. "É possível que em outros campeonatos, como este, os homens paguem também", afirmou o presidente.
As atletas receberam no dia 12 de agosto um e-mail da técnica da delegação feminina, Rosicleia Campos, com o primeiro pedido da entidade. Na sequência, o coordenador técnico da CBJ, Ney Wilson, mandou uma carta-convite para todas as atletas. Segundo Ney, o interesse das atletas foi maior do que as vagas.
Ainda para tentar justificar a necessidade das atletas precisarem pagar a passagem, a confederação faz uma comparação com delegações europeias. "A França, com recurso em euros, também adota essa prática. Em alguns campeonatos, vai um grupo por conta da confederação e em outros eles liberam. Não é invenção nossa", disse Wanderley.
No entanto, o custo da passagem do Brasil para a Inglaterra é US$ 1.100,00, de acordo com a própria cotação da CBJ. Já para viajar da França para a Inglaterra um atleta tem diversas opções mais econômicas -até por ônibus ou trem.
"A competitividade é muito grande, e para isso vocês devem buscar apoios e patrocínios que permitam custear algumas viagens, pois a CBJ não terá condições de custear para todas vocês, não que seja a vontade da entidade, mas porque a crise atual não permite", dizia o e-mail de Rosicleia.
Esta não é a primeira vez que a confederação adota esta postura. No Grand Slam de Moscou, em maio, Taciana Rezende de Lima, da categoria até 48 kg, teve de pagar a sua passagem.