Campeão do UFC, GSP começou a lutar caratê por ter sido vítima de bullying
Mais de uma década depois do massacre que matou 15 pessoas no colégio de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999, quando a discussão sobre as consequências do bullying contra jovens explodiu em todo o mundo, o tema voltou à tona com força. Com o astro do maior evento de MMA do mundo Georges St-Pierre como um dos principais porta-vozes, as artes marciais aproveitaram essa retomada do assunto para iniciar uma campanha pelo seu uso contra o problema.
Um dos maiores ídolos do esporte do Canadá e campeão dos meio-médios do UFC, GSP estrelou uma campanha contra o bullying na TV do país e revelou que sofreu com ele quando criança. “Tive uma infância muito dura, com grandes problemas. Não tive muitos amigos quando criança. Sou uma pessoa intelectual e de uma cidade pequena.”
“Meus amigos também eram mais intelectuais e pouco populares, como eu. Não queríamos ser jogadores de hóquei como todo mundo. Tinha problema com acne, não me vestia muito bem e não era popular com as garotas. Eu definitivamente não era um cara popular”, contou o lutador em entrevista ao site norte-americano Yahoo.com.
Espancado com frequência, sua vida começou a mudar quando passou, aos 13 anos, a treinar caratê, arte marcial em que se tornou faixa-preta, seu primeiro passo no mundo das lutas. “Eu me tornei forte o suficiente para me defender. Com 14 ou 15 anos, ninguém mais podia tocar em mim”, contou St-Pierre.
Era um ambiente muito hostil, não ia para a escola para aprender, mas sim para sobreviver. Era realmente assustador. Você não pensa no que o professor está falando, mas sim em como fugir quando o sinal bater. 
Nunca tive a chance de me vingar dos garotos que me agrediam. E não quero mais fazer isso. Crianças fazem coisas idiotas. Não tenho raiva e os perdôo.
“Não quero apenas ajudar as criança que sofrem bullying, mas também mudar a cabeça de quem pratica, mostrar que o que eles fazem é algo ruim”, completou o canadense.
Quem também entrou na campanha foram as academias Gracie, pioneira no ensino do jiu-jitsu. Encabeçada pelo mestre Rolker Gracie, filho do patriarca Hélio e irmão da lenda do UFC Royce Gracie, as escolas que levam o nome dos criadores da arte marcial prepararam aulas especiais para que os alunos possam enfrentar o bullying.
“Isso é um pouco antigo para nós, mas um aluno nosso dos Estados Unidos, junto do meu irmão Rorion, decidiram trazer isso mais forte novamente. Essas aulas ensinam as crianças a se defenderem contra agressões, seja de uma pessoa, como de duas, três ou até mais. É uma aula com muita prática de defesa pessoal”, contou Rolker.
Gracie explica que as classes são indicadas para jovens de 7 a 17 anos, mas deixa claro que não há qualquer incentivo a um revide violento por parte das vítimas de bullying. “O jiu-jitsu é uma grande arma para se defender de alguém que queira te rebaixar ou te ridicularizar. Aqui, eles ganham autoconfiança para encarar qualquer problema”, completou o mestre.
| 45% | das escolas de ensino fundamental do Brasil sofrem com o problema |
| 49% | dos jovens estão envolvidos na prática |
| 22% | são vítimas |
| 15% | são agressores |
| 12% | estão de ambos os lados |
A reportagem do UOL Esporte consultou três profissionais de psicologia especializados no trabalho com jovens e crianças e todos tiveram discursos semelhantes sobre o assunto.
Apesar de não haver nenhum estudo específico na área sobre o uso das artes marciais contra o bullying, eles apostam na prática como forma de discussão e prevenção do problema.
“Em toda prática esportiva, principalmente nas que existe o contato, há competição, há cooperação, e os conflitos aparecem e podem ser tratados, discutidos. O que é necessário é que o tema seja sempre abordado diretamente, explicando o que está acontecendo e que possa se refletir. As pessoas precisam se colocar no lugar de quem sofre com isso”, explicou a psicóloga Ana Carolina Hirata.
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“Há muitos fatores que têm um impacto sobre o fato de um adolescente vai tornar agressivo ou suicida. Algumas crianças são vulneráveis e poderão vivenciar o bullying como razão para matar ou morrer. A questão aqui é que cabe aos adultos se certificar de que esse tipo de comportamentonão ocorra. É inútil, malvado e perigoso. Quem pratica isso só fará o que os espectadores permitirem. O agressor e a vítima fazem parte de um show (on-line ou na escola) e os espectadores estão em toda parte. Na maioria dos casos de bullying, os adultos são espectadores. A vergonha está ligada à violência. Encontre a vergonha, reduza a violência… ponto final.” - Frank C. Sacco, doutor em psicologia e autor de “Preventing Bullying and School Violence”, para a revista Cult |
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