Em show de luta livre de mentira, lutador quase é preso de verdade por pisar na bandeira do Brasil

Bruno Doro
Do UOL, em São Paulo

  • Leandro Moraes/UOL

    Chris Jericho com a bandeira do Brasil, antes do pisão: lutador foi suspenso pelo WWE

    Chris Jericho com a bandeira do Brasil, antes do pisão: lutador foi suspenso pelo WWE

O WWE, o mais importante evento de luta livre profissional do mundo, realizou na noite de quinta-feira seu primeiro show no Brasil. E o evento, que teve oito lutas de mentirinha, quase terminou em confusão de verdade. Na última luta da noite, o canadense Chris Jericho pisou na bandeira do Brasil durante uma provocação ao público – comum em eventos da modalidade.

Os policiais que cuidavam da segurança do evento, porém, consideraram o ato um desrespeito à bandeira e foram até a beira do ringue para prender o lutador. A organização impediu que os policiais se aproximassem e fez com que Jericho se desculpasse.

Assim que um membro do WWE chegou perto do ringue, o lutador pegou o microfone e fez um discurso de elogios ao Brasil. "Eu quero pedir desculpas por ter pisado na bandeira brasileira. Eu adorei este país. É um dos mais bonitos do mundo e tenho muito orgulho de estar aqui", disse o lutador.

A reportagem do UOL Esporte abordou o responsável pela segurança do evento da PM, membro do 2º Batalhão de Choque, que pediu para não ser identificado. Segundo o policial, como a retratação pública foi feita imediatamente, o canadense não seria autuado. Os policiais, porém, se mostraram bastante desconfortáveis com a situação e continuaram próximos do ringue até a saída dos lutadores.

Depois do evento, o WWE confirmou que o episódio não estava no roteiro da atração e anunciou que o lutador foi suspenso e nunca mais voltará ao Brasil pela organização: "A WWE se desculpa pelo ato de um performer irresponsável no show desta noite do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, ocorrido no dia 24 de maio de 2012. Chris Jericho foi suspenso imediatamente, e nunca mais retornará ao Brasil como um Superastro da WWE", diz o comunicado.

Provocações ao público e ao país em que o evento está sendo realizado são comuns em eventos de luta livre profissional. Os combates são encenados, com os vencedores previamente definidos, e seguem um roteiro simples. Em todas as lutas um lutador representa o bem e outro, o mal.

Os lutadores do bem são sempre os mais aclamados pela torcida, são os mocinhos, lutando sempre dentro das regras. Os vilões não respeitam ninguém, infringem regras e provocam os torcedores. Essa postura faz parte do show e é usada para criar um ambiente de torcida vibrante, principalmente em locais que não estão muito acostumados com o WWE, como o Brasil.

Jericho, inclusive, não foi o único a provocar o Brasil. Durante uma luta de duplas, os porto-riquenhos Épico e Primo também fizeram um discurso desrespeitoso. "Não falamos português e não nos importamos com isso. Viemos de Porto Rico, não de um país barato e sujo como esse", falou Épico.

Outro que provocou o público foi The Miz, que veio ao Brasil no início do mês para promover o show do WWE. Ao entrar no ringue, ele mandou os torcedores que o vaiavam calarem a boca: "Cala a boca, otário", falou, com sotaque.

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