Lutador deficiente disputa 1º título e diz que pode competir com qualquer um no UFC

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Nick Newell ficou conhecido por lutar mesmo com uma amputação congênita e, desde 2009 como profissional, nunca perdeu em seus oito combates

    Nick Newell ficou conhecido por lutar mesmo com uma amputação congênita e, desde 2009 como profissional, nunca perdeu em seus oito combates

Nick Newell ganhou as manchetes por suas vitórias no MMA, mesmo tendo de superar uma amputação congênita que o fez nascer sem uma parte do braço. O norte-americano está invicto sobre os ringues e disputa nesta sexta-feira seu primeiro cinturão da carreira. Mais do que isso, ele luta para conquistar respeito - "chamar atenção é fácil", diz o lutador - e mira alto, afirmando que já tem condições de enfrentar as estrelas do UFC.

Nesta sexta, Newell encara seu maior desafio. Ele enfrenta o compatriota Eric Reynolds (14 vitórias, cinco derrotas) no Xtreme Fighting Championships (XFC), em Nashville (EUA), valendo o cinturão da categoria leve (até 77 kg). 

Será a nona luta do lutador de 26 anos, que está invicto e tem cinco finalizações e dois nocautes no cartel. Mas ele sabe que os resultados ainda representam pouco frente ao que ele ainda tem de vencer, que é o preconceito contra sua condição. O mote do norte-americano, como ele disse em entrevista ao UOL em abril, segue o mesmo: "Você não pode parar alguém que tem determinação."

"É fácil para mim chamar atenção, mas é muito duro conquistar respeito", afirmou Newell ao jornal USA Today.

"Meu objetivo quando comecei foi nunca ser conhecido com o ‘lutador de uma mão’. Minha meta é ser o melhor do mundo. Se você estabelece seus objetivos para baixo, você está apenas trapaceando", opina ele.

O desafio é transformar a curiosidade das pessoas em assistir às suas lutas em algo mais, fazer com que elas esqueçam a deficiência e o vejam como um competidor, um desafiante.

"Esses caras estão lutando por um título por uma razão, não é por pura escolha", defende o técnico de Newell, Jeremy Libiszewski.

Presidente do XFC, John Prisco concorda. "Inicialmente é claro que você nota que ele não tem parte do braço por conta desta amputação congênita. Mas rapidamente você vai além disso e percebe o quão bom ele é como atleta", explica.

Prisco conta que, antigamente, os lutadores fugiam de Newell por acharem que era uma situação em que não tinham a vencer. Ou eles perderiam para um cara com uma mão, ou seriam vistos com olhares tortos em caso de vitória. "Isso mudou totalmente. Hoje, quando menciono Newell todos querem a luta, pois sabem que ele é bom e que vencê-lo é uma conquista", conta o dirigente.

O norte-americano mostra confiança e sente que pode "competir com qualquer um no UFC, absolutamente". Além de vencer Reynolds nesta sexta, ele terá de provar nos próximos passos que tem condições de se elevar a desafios ainda mais altos e convencer os céticos. Entre eles está quem ele espera que seja seu próximo chefe, Dana White. O presidente do Ultimate não descarta um dia contar com Newell, mas avisa: "já é uma competição dura o suficiente para atletas com dois braços".

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