Candidato ao cinturão, Demian diz que dramas quase o fizeram parar de lutar

Maurício Dehò
Do UOL, em São Paulo

Demian: se vencer, devo lutar pelo cinturão

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Demian Maia viveu um momento de baixa no UFC em janeiro de 2012, quando teve uma atuação sofrível diante do então desconhecido Chris Weidman. Mas não foi só. A má fase foi ainda maior, e dramas na vida profissional e pessoal quase o fizeram desistir de lutar MMA. Apenas um ano e meio depois, ele superou a ideia de se aposentar e deu a volta por cima para ser o protagonista do UFC do próximo dia 9 de outubro, em Barueri (SP).

O paulista de 35 anos, que chegou a lutar contra Anderson Silva pelo cinturão dos médios, renasceu dentro do UFC após os episódios. Ele trocou de categoria, descendo para o meio-médio, e hoje está muito próximo de uma luta por cinturão, caso vença sua quarta luta seguida, contra o norte-americano Jake Shields.

Os problemas de Demian começaram com a derrota para Weidman. Tanto por perder para um rival chamado às pressas, dez dias antes da luta como substituto de Michael Bisping, quanto pelo desempenho fraco e a derrota por pontos. E teve mais.

"Aconteceram algumas coisas que poucas pessoas sabem. Quebrei a mão e tive de operar. Minha esposa perdeu um filho, e quando saímos do hospital ainda fomos assaltados por cinco ou seis caras armados. Aquela foi a única vez na vida em que pensei em parar de lutar. Descer de categoria foi um recomeço. Se eu tinha carma para pagar, já paguei tudo", disse ele, entre um desabafo e um sorriso no final.

Como nunca teve dificuldades para lutar no peso médio, descer para o meio-médio foi uma aposta natural. E se mostrou correta, com três vitórias impactantes em seguida. Nos bastidores, ele também fez uma reformulação total na parte técnica.

"Eu decidi que, se iria continuar, iria fazer direito. Eu sou um pouco controlador, mas não estava dando conta de contratar treinadores e me organizar com tudo. Passei tudo para o Eduardo Alonso (empresário), que tem uma visão impressionante. Ele controla tudo, monta meu camp, organiza a minha planilha de treinos, faz a relação com a mídia e a negociação com o UFC", detalhou.

"Essa época foi um período conturbado para todos nós", lembrou Eduardo Alonso, que comanda os bastidores da preparação de Demian. "Ele teve uma luta muito ruim com o Weidman, num momento em que estávamos tentando levantá-lo de novo. Ele fugiu do jiu-jítsu, apostou numa trocação inoperante, e nem o público e nem o UFC, gostaram."

O próprio Alonso viu sua carreira em risco ali. Além da má fase de Demian, ele deixou de trabalhar com o ex-campeão Maurício Shogun. Assim, além de cumprir o papel de empresário, pediu uma chance para o paulista de assumir toda a sua preparação, logo depois que o paulista sofreu muito em seu primeiro teste para descer para 77 kg, e não conseguiu.

Alonso montou o planejamento, deixou Demian apenas com as "preocupações" de lutador, e a segunda tentativa de descer de peso já foi para valer, na pesagem para a estreia no meio-médio. E deu certo, com a vitória sobre o coreano Dong Hyun Kim. "O Demian foi o atleta mais prazeroso de trabalhar, ele é muito dedicado. Ele foi num voo cego, confiou no que estávamos fazendo e hoje estamos aqui."

Demian, como já disse, espera lutar pelo cinturão caso vença Shields. O rival é um dos mais gabaritados entre os meio-médios e já perdeu para Georges St-Pierre em disputa de título. "Tenho certeza de que, se der certo e vencer, vou disputar o cinturão. O Jake já foi campeão do Strikeforce, venceu Dan Henderson, Carlos Condit. Que eu me lembre, nesse peso ele ganhou de todo mundo. Ele é duríssimo."

Será a primeira luta principal do paulista desde que perdeu para Anderson Silva em Abu Dhabi, e ele agradeceu a oportunidade. "Minha popularidade cresceu, hoje tenho condição de liderar um card e graças a Deus o UFC acreditou nisso", concluiu.

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