Topo

MMA


Ele foi campeão do BBB. Agora virou árbitro de MMA e já mira o UFC

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

20/10/2014 06h01

Marcelo Dourado ficou conhecido em todo o Brasil por participar duas vezes do Big Brother Brasil e ganhar R$ 1,5 milhão em uma das edições. Mas o que o move a vida dele sempre foram as artes marciais. Faixa preta de judô e jiu-jitsu, ele virou árbitro de MMA e já sonha em trabalhar com o UFC.

Dourado é árbitro central em competições no Brasil, a última foi o Showtime Fights 3, que aconteceu no Espírito Santo em outubro. Nos torneios, ele usa sua experiência como lutador para colocar em prática as regras que ele garante já ter na cabeça. Até a técnica é útil na hora de separar os dois adversários em um momento de irregularidade na luta.

“Para ser árbitro tem que pensar muito rápido, tem que ter a regra na cabeça pra julgar o golpe no momento exato. É muita responsabilidade porque você pode definir a vida e o futuro de um atleta. Tem que estar muito focado. É preciso usar a técnica porque você precisa saber se defender e ter segurança, são dois profissionais brigando e há sempre o risco. Eu acho que para ser árbitro tem que ter sido lutador”.

Dourado entrou na profissão depois de receber convites para eventos menores por causa da fama que conquistou com o BBB. Dez anos depois da primeira experiência em mais de 50 lutas, ele acredita que leva jeito para a arbitragem e diz que gostaria de ir para o UFC.

“Para mim é bem tranquilo. Eu já tenho as regras todas na cabeça e carrego uma bagagem grande. Cometi erros mínimos e nunca interferi no resultado de uma luta. E é muito legal porque tenho a melhor visão da luta, é uma emoção e um privilégio muito grande. Claro que gostaria de ir para o UFC, é um grande espetáculo. Quem sabe um dia”.

Apesar do sonho de participar do maior evento da modalidade no mundo, o caminho para atingir a meta é árduo e Dourado ainda não começou a trilhá-lo. O primeiro passo seria fazer um curso de arbitragem que ele ainda não tem no currículo. No Brasil, o mais conhecido do Brasil é o de Mario Yamasaki.

Depois, ele precisaria se filiar ao quadro de árbitros da Comissão Atlética Brasileira para, em seguida, tentar uma vaga na comissão atlética de algum estado americano e aí sim ter a chance de ser escalado.

O ex-BBB mostra admiração pelo UFC, mas também faz críticas à arbitragem do evento. “É um espetáculo muito bem feito, é uma empresa forte em diversos países. Mas precisa melhorar a arbitragem. Muitos dos árbitro não são do MMA, existem muitos resultados polêmicos. Eles tinham que incluir mais as pessoas do MMA e dar espaço para lutadores”.

A crítica de Dourado é frequente entre pessoas relacionadas ao meio. Os árbitros centrais usados nas competições promovidas por Dana White têm a obrigação de ser faixa preta em alguma modalidade. No entanto, não existe uma formação específica para os árbitros de cadeira, que são os responsáveis por dar as notas. Nas lutas do UFC que são decididas por pontos, se tornou frequente os resultados serem contestados.

Além de ser árbitro, Dourado também tentou a carreira no MMA como lutador, mas não teve muito sucesso. Ele teve oito lutas em sua carreira, com sete derrotas e apenas uma vitória. Ele afirma que estava em um momento difícil de sua vida e que gostaria de fazer mais duas lutas antes de se aposentar de vez como atleta da modalidade.

“Foi satisfatório, me confundi um pouco porque foi na época em que eu comecei a aparecer na mídia e isso me tirou um pouco o foco. Quando eu quis lutar, estava um pouco sem energia, me machuquei. Eu tive também dificuldades financeiras, fui para fora do país, aí veio o BBB, as responsabilidades com a academia em que eu precisava dar meu tempo e minha dedicação. Mas eu gostaria de fazer uma ou duas lutas para encerrar”.

Hoje em dia, Dourado viaja pelo Brasil, especialmente para as regiões Norte, Nordeste e Sul, a cada dois meses para arbitrar. A frequência só não é maior porque ele precisa se dedicar à academia de lutas que ele tem no Rio de Janeiro.