UOL Esporte Natação
 
07/05/2009 - 07h00

Fratura custa a Pereira vaga em uma prova e ameaça outras duas para Mundial

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
No fim de março, Thiago Pereira era o melhor do Brasil em três provas. Tropeçou, trincou um dos ossos da mão esquerda e ficou afastado dos treinos por quatro semanas. A desatenção custou ao nadador fluminense a vaga em uma dessas provas no Mundial de Roma, em julho, e só não teve conseqüências mais graves porque seu nível nas duas provas de medley, sua especialidade, é muito superior à da concorrência.

Na quarta-feira, ele disputou as eliminatórias dos 200 m peito, sem ritmo de competição. Fez o quarto melhor tempo do país, mas não disputou a final. Da borda da piscina, viu Henrique Barbosa se tornar o segundo homem mais rápido do planeta na distância e Tales Cerdeira levar a segunda vaga no Mundial.

"Acho que eu já esperava isso. A fratura atrapalhou bastante a programação, então eu vim para cá sabendo que nos 200 m peito, em que o pessoal estava mais próximo de mim, seria difícil manter a vaga. Eu estou mais tranqüilo nas duas de medley, porque o pessoal que está atrás ainda tem de tirar 11 segundos. E dois teriam de bater essa marca, então é algo difícil mesmo. Mas nunca se sabe", afirmou o nadador.

A situação é realmente confortável nos 400 m medley. O melhor resultado de Thiago na temporada foi 4min11s25. Seus rivais mais próximos são Henrique Rodrigues e Diogo Yabe, ambos com tempos na casa dos 4min21. Nos 200 m medley, os rivais estão mais próximos do 1min58s06 de Thiago na temporada (o melhor da carreira é o tempo do ouro no Pan de 2007: 1min57s79). Henrique Rodrigues, parceiro de treinos no Minas, por exemplo, tem índice para o Mundial, com 1min59s69. Já Diogo Yabe e André Shultz estão nadando na casa dos 2min01. "Do jeito que os recordes estão caindo por aqui, existe a chance do Thiago nem ir ao Mundial", exagera o técnico Fernando Vanzella.

A fase final de recuperação de Pereira começou na semana passada. Foram cinco semanas imobilizado, sem poder nadar. No período, ele andou de bicicletas, fez alguns movimentos dentro da água. Mas nada disso evitou o ganho de peso. No Maria Lenk, ele nada com dois quilos a mais que seu peso habitual.

"Eu fiquei muito tempo longe e é difícil voltar. Por isso, estou só disputando as Eliminatórias, até para seguir nadando. Mas estou fazendo treinos fortes aqui mesmo, já para reencontrar o ritmo. Acho que na semana que vem, já possa competir de verdade", admite o nadador.

"Ele perdeu cinco semanas de treinamento e isso é muito para nadador de ponta. Ainda mais em uma temporada de Mundial. Nós ainda não sabemos o quanto ele perdeu (de preparo) porque ele voltou a nadar agora. A partir de Charlotte, na semana que vem, acho que ele volta a nadar bem", analisa Vanzella.

A competição a que Pereira e Vanzella se referem é o Charlotte UltraSwim, que começa na sexta-feira da semana que vem. A grande atração do evento é a volta de Michael Phelps, após suspensão por doping - no caso da foto em que ele foi flagrado com maconha. "Nadar com ele é um estímulo", completa Pereira.

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