A agenda de Ryan Lotche está lotada desde que o nadador deixou Pequim com quatro medalhas olímpicas, duas delas de ouro. Tão cheia que o norte-americano já faltou a dois compromissos importantes que podem lhe custar uma punição.
O nadador não compareceu a dois testes-surpresa marcados pela Agência Antidoping dos EUA (Usada). Se faltar ao terceiro nos próximos 18 meses, será julgado como se tivesse um resultado positivo. "Mais um e estarei em apuros", afirmou Lochte.
A Usada tem como prática realizar uma série de exames fora de competição, e os atletas de elite precisam informar suas agendas para que possam ser encontrados em qualquer momento do dia ou da noite. Se o competidor não é encontrado, a agência conta uma falta - três em um ano e meio configuram infração por doping.
Natalie Coughlin, outra medalhista em Pequim que, como Lochte, tem cumprido uma longa lista de compromissos, diz que está muito difícil informar à Usada seu paradeiro. "De um dia para o outro, nem eu sei onde estarei", afirmou a campeã olímpica ao jornal
The New York Times.
"É preciso ser também muito paciente para informar à agência qual a sua programação 24 horas ao dia, sete dias por semana. É uma encheção", completou a nadadora.
Na última quarta-feira, os dois nadadores estavam em um evento na Bolsa de Nova York, ao lado do oito vezes campeão olímpico Michael Phelps.
A perda de testes-surpresa não é privilégio de Lochte. O ex-velocista russo Alexander Popov já ficou "pendurado" ao não informar seu paradeiro e faltar a dois exames.
O venezuelano Luis Rojas teve problemas no visto para voltar aos EUA, onde treinava, não avisou as entidades responsáveis e perdeu três exames. O nadador foi suspenso.
No Brasil, em 2005, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos emitiu até um edital público de convocação à procura de Jáder Souza. O nadador não tinha informado seu paradeiro e havia sumido.