Uma das principais revelações da natação brasileira nos últimos anos, Gabriella Silva irá disputar neste final de semana sua primeira etapa de uma Copa do Mundo de natação de piscina curta, em Berlim. Marinheira de primeira viagem, porém, Gabriella pode ir para não mais voltar. A brasileira tem uma proposta para treinar na Austrália em 2009.
Gabriella, que deverá nadar as provas de 100 e 200 m borboleta na capital alemã, recebeu uma proposta para se mudar para o maior país da Oceania e berço de boa parte dos principais nomes da natação mundial. O NSWIS, centro esportivo localizado em Sydney no qual Ian Thorpe já treinou, mostrou interesse em receber a velocista carioca.
Lá, ela trabalharia ao lado de Lisbeth Trickett, atual campeã olímpica da prova em que Gabriella conseguiu chegar à final logo em sua primeira participação nos Jogos - foi sétima colocada nos 100 m borboleta. Além disso, seria comandada pelo técnico Grant Stoelwinder.
O NSWIS é um clube de esportes que abrange 24 modalidades esportivas distintas e conta com mais de 700 atletas. Em Pequim, seis nadadores do clube levaram medalha de ouro. Nos Jogos Olímpicos, além de Trickett, também subiu ao degrau mais alto do pódio Lara Davenport, integrante do revezamento 4x200 m livre na competição. Já nos Paraolímpicos, o NSWIS teve Peter Leek, Ben Austin, Rick Pendleton e Matthew Levy como representantes campeões.
Apesar de a proposta ser tentadora, Gabriella ainda está na dúvida. Isso porque a nadadora de apenas 19 anos ainda não sabe se está preparada para viver tão longe de casa. "Estou pensando bem, ouvindo conselhos. Só vou me decidir em dezembro. Eu sempre quis morar na Austrália. É uma excelente oportunidade, mas não quero me precipitar", disse a nadadora, que atualmente treina no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.
Atual treinador de Gabriella e também de uma série de atletas de ponta como Flávia Delaroli e César Cielo, Alberto Silva, o Albertinho, acredita que a atleta deve esperar mais para trocar o Brasil por outro país.
"Se ela [Gabriella] quiser ir, tem todo o meu apoio. Agora, acredito que ela precisa amadurecer mais um pouco antes de sair do país. Precisa estar mais preparada emocionalmente para lidar com as situações do dia-a-dia. Lá, ela não terá ninguém por perto para ajudá-la nos momentos difíceis. E mulher, às vezes, desconta isso na comida. Então, é preciso ter cuidado. Ela está no caminho certo para conquistar uma medalha olímpica. Mas, às vezes, uma decisão errada ou precipitada pode tirá-la deste caminho", disse o treinador.
A falta de maturidade não é, segundo Albertinho, o único motivo pelo qual Gabriella não deve ir à Austrália já em 2009. O treinador também teme que, em seu novo clube, ela não receba o mesmo tratamento diferenciado que tem no Pinheiros. Tampouco a atenção que tem por parte atual comissão técnica.
"Ela [Gabriella] tem um problema na região lombar e uma frouxidão ligamentar no ombro. E ela sente um pouco isso no início dos ciclos de treinamento. Ou seja, ela sempre precisa de um certo período de tempo para se adaptar. Às vezes, por conta disso, ela tem que passar um tempo só batendo perna. E, mesmo assim, conseguimos encaixar isso no plano de trabalho e ela teve bons resultados. Será que lá ela terá a mesma dedicação? Talvez fosse melhor ela chegar lá quando esses problemas de lesões estivessem solucionados", completou Albertinho.
Mas, seja qual for a decisão tomada em dezembro, Gabriella já resolveu que não abandonará seu trabalho com Albertinho. Sua intenção é procurar fazer como o campeão César Cielo, que seguirá para os Estados Unidos em 2009, mas continuará retornando ao Brasil no segundo semestre para trabalhar no Pinheiros e participar de competições pelo clube paulista. "Não quero me desvencilhar [do Pinheiros] jamais!", finalizou a nadadora.