César Cielo não se cansa de falar da amizade e a ligação que possui com o técnico Brett Hawke, que trabalhou com o brasileiro para as duas medalhas olímpicas que conquistou em Pequim-2008. Na piscina do Cubo D'Água, ele foi ouro nos 50 m livre e bronze nos 100 m livre.
Segundo o nadador, uma das provas mais fortes da dedicação do australiano aconteceu longe das piscinas e dos treinos. Hawke encarou duas horas de fila na China só para retirar o badalado maiô
LZR Racer, da Speedo.
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos prometeu o traje para o time verde-amarelo, mas os nadadores só tiveram acesso ao material quando chegaram à sede olímpica, pela mesma via que nadadores do resto do mundo. Atletas de equipes como EUA e Austrália tinham maiôs personalizados, entregues com antecedência.
A vestimenta sem costuras, apontada como uma das maiores responsáveis pela enorme quantidade de recordes superados nesta temporada, foi entregue pela fabricante na piscina do Cubo D'Água e gerou filas entre os olímpicos.
"O Brett ficou na fila para mim e pegou o maiô. Mas eu vi brasileiro lá em pé esperando para nadar o dia seguinte", contou o campeão olímpico ao
UOL Esporte. Mesmo parecendo apenas um detalhe, Cielo defende a importância de atitudes como essa.
"O pessoal pode falar que não cansa, mas fique duas horas em pé para nadar no outro dia. Numa hora dessas nossa cabeça fica muito sensível, e isso quebra totalmente o psicológico do cara", explicou o nadador do Pinheiros.
A febre quanto aos maiôs tecnológicos não chega a ser uma novidade. Em 2000, outro brasileiro teve de sofrer na espera por um maiô. Dono de três medalhas olímpicas, Gustavo Borges ficou uma hora na fila, esperando por seu
FastSkin. O traje foi o primeiro supermaiô, famoso por imitar a pele de tubarão e diminuir a fricção da água no corpo do nadador.