UOL Esporte Natação
 
26/11/2008 - 09h30

Fina estuda limite para supermaiôs; EUA e Austrália podem conter uso

Maurício Dehò
Em São Paulo (SP)
A temporada de 2008 foi marcada pelos recordes na natação e, em grande parte deles, a importância dos supermaiôs foi fundamental para que as antigas marcas fossem pulverizadas, uma a uma. No entanto, a influência da tecnologia no esporte causou polêmica. Tanto que a Federação Internacional de Desportos Aquáticos (Fina) anunciou para fevereiro uma reunião sobre o assunto.

Caio Guatelli/FI
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Como objetivo, a entidade máxima da modalidade no mundo quer limitar e precisar até onde as vestimentas podem evoluir e, assim, influenciar nos resultados dos nadadores. Em 2008, o maior exemplo foi o maiô LZR Racer, da Speedo, lançado em fevereiro e causador de uma nova corrida nos materiais esportivos, por seu aspecto de flutuabilidade. Os Jogos Olímpicos de Pequim foram um exemplo das quebras de recordes, com 25 registradas - no total, até a última etapa Copa do Mundo, foram 54 novas marcas em piscina longa e 35 em piscina curta.

"É hora de respirar e revisar todos os temas relacionados às vestimentas", afirmou Cornel Marculescu, diretor executivo da Fina, ao The Times. Para ele, as mudanças não serão encerradas, mas o objetivo é garantir "uma organização sensível, que possa delimitar o que é ou não aceitável". A meta é que as regulamentações feitas na reunião já valham para o Mundial de Roma, em julho.

Tanto atletas quanto técnicos e fabricantes serão ouvidos até o início do próximo ano, para que seja encontrado o limite para o desenvolvimento da tecnologia. Enquanto isso, algumas entidades já trabalham separadamente contra os maiôs, pelo menos em parte de suas competições. Uma das reclamações é o alto custo das vestes - de US$ 200 a US$ 500 - e a baixa durabilidade.

O maior movimento para uma reflexão sobre o tema foi nos Estados Unidos, país do astro Michael Phelps. Por meio de votações entre técnicos, foi determinado que as competições universitárias não poderão permitir que nadadores usem maiôs de alto-nível, como o LZR. O objetivo é preservar os novos nadadores da competição voraz fora da água, para obtê-los, e com isso estimular uma volta dos profissionais à "velha escola".

BLOCO PROMETE RECORDES
AFP
Além dos maiôs, uma inovação que movimentará o mundo das piscinas em 2009 será o bloco de partida, mais parecido com o do atletismo. Espera-se que uma nova leva de recordes aconteça - principalmente no Mundial de Roma, em julho, nos moldes do que ocorreu em 2008, como nos Jogos Olímpicos na China. No entanto, os brasileiros devem ter dificuldades para treinar com o aparato. Para solucionar o problema, o técnico Albertinho, do Pinheiros, criou seu próprio bloco, "genérico".
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De forma semelhante, a Austrália - outra das grandes nações nas piscinas - também estuda o banimento dos supermaiôs. Técnicos do país se reuniram e, segundo o jornal
Sydney Morning Herald, estudam fazer recomendações para a federação local para a restrição das vestimentas tecnológicas.

"Estamos discutindo e fazendo maiores investigações para que a Fina nos apóie, estudando se pelas regras e as novas filosofias dos maiôs esta evolução foi boa ou ruim", afirmou Alan Thompson, ex-nadador e técnico da seleção australiana.

Brasileiros apóiam tecnologia
Um dos principais argumentos usados em favor dos supermaiôs é o de que o "estrago" já foi feito e que, uma vez que durante quase um ano o maiô foi permitido, não há mais volta. Esta é a opinião, por exemplo, do campeão olímpico César Cielo, vencedor nos 50 m livre e bronze nos 100 m livre.

"A partir do momento que liberaram este maiô, não tem como apagar os recordes conquistados", disse o paulista, ao UOL Esporte, brincando que falta pouco para serem acoplados pés de pato às roupas. "Faz parte do esporte. Independentemente do tipo de evolução, tem de continuar para não cair numa coisa monótona. Lógico que este ano foi um desastre, com uma enxurrada de recordes, mas foi interessante por ganharmos espaço na mídia, além do aumento de competitividade. Sou a favor das inovações, mas com bom senso."

A mesma opinião é de Gabriella Silva, sétima colocada na final olímpica dos 100 m borboleta. "Os recordes estão aí e já disputamos uma Olimpíada com eles [os supermaiôs]. Não tem como retroceder em algo que foi aprovado pelos nadadores e que todos estão utilizando. Nas competições universitárias, até que tudo bem. Mas, nas disputas profissionais, é algo totalmente sem sentido e que nem deve passar pela cabeça de dirigentes."

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