UOL Esporte Natação
 
26/11/2008 - 09h30

Natação brasileira corre para não ficar defasada com novo bloco de largada

Bruno Império
Em São Paulo
O supermaiô LZR foi lançado no começo do ano, mas a maioria dos nadadores brasileiros só conseguiu o seu quando já tinha chegado em Pequim, para as Olimpíadas. Para que a mais recente inovação tecnológica, o novo bloco de largada, não pegue ninguém de surpresa, a natação brasileira está procurando um "jeitinho" para se atualizar.

Alberto Silva, o Albertinho, técnico da seleção, está desenvolvendo um "bloco genérico", imitando a nova plataforma, usada desde o ano passado e que estará presente no Mundial de natação de Roma, no ano que vem. A preparação verde-amarela para a competição, inclusive, será feita com a invenção do treinador.



O novo bloco, basicamente, consiste em um apoio para os pés na parte de trás da plataforma. Ajustável para cada atleta, permite uma angulação de 90º para a perna direita. Com isso, segundo especialistas, os nadadores poderão ter ganho de até 0,1s em provas de velocidade. A concepção do artefato foi inspirada nos blocos de partida do atletismo.

Albertinho teve contato com o novo bloco em duas oportunidades. A primeira foi em Pequim, durante um evento teste - o aparelho não foi utilizado nos Jogos Olímpicos porque a maioria dos competidores ainda não havia treinado com ele. Mais recentemente, o treinador comandou seus atletas na etapa da Alemanha da Copa do Mundo de piscina curta, segundo torneio em que o bloco foi utilizado, já registrando recordes.

Nas duas ocasiões, Albertinho aproveitou para estudar a plataforma e tomar medidas para o seu bloco, que em breve deve ser usado no clube Pinheiros, onde o treinador trabalha. "Fiz fotos em escala e procurei reunir o maior número possível de informações sobre o bloco. Não sei quando teremos esse bloco oficial em nossos treinos. Por isso, estou montando esse meu bloco 'genérico'. Não quero que meus atletas sejam 'surpreendidos' como aconteceu com o LZR em Pequim", disse Albertinho em entrevista ao UOL Esporte.

O projeto de Albertinho deve começar a ser usado no início de 2009 - não existe previsão de importação do bloco oficial para o Brasil. O técnico garante que com os treinos no bloco "genérico" os velocistas brasileiros chegarão ao Mundial de Natação de Roma, em 2009, preparados para aproveitar a nova tecnologia.

"O importante é que os atletas não cheguem defasados ao Mundial. O novo bloco oferece um ganho, sim, para as provas mais rápidas e para aqueles nadadores que saltam com os pés separados", completou Albertinho.

A velocista Flávia Delaroli, recordista sul-americana dos 50 m livre em piscina curta com o tempo de 24s34 e até pouco tempo também a mais rápida do continente com 25s17 em piscina de 50 metros, trabalha com Albertinho no Pinheiros e também testou o novo bloco em Pequim. Para a nadadora mineira, a alternativa de Albertinho será bem-vinda.

FINA QUER LIMITAR O SUPERMAIÔ
Caio Guatelli/FI
A temporada de 2008 foi marcada pelos recordes na natação e, em grande parte deles, a importância dos supermaiôs foi fundamental para que as antigas marcas fossem pulverizadas, uma a uma. No entanto, a influência da tecnologia no esporte causou polêmica. Tanto que a Federação Internacional de Desportos Aquáticos (Fina) anunciou para fevereiro uma reunião sobre o assunto.
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"Senti que meu salto pode ser melhor com ele [o novo bloco] quando o testei antes dos Jogos. Mas só saberei o quanto isso poderá se traduzir em ganho de tempo quando começar a treinar com ele. Justamente por isso vai ser muito bom quando tivermos esse aparelho que o Albertinho está projetando no Pinheiros. Sem isso, poderíamos chegar ao Mundial sem jamais ter treinado com o apoio para o pé", afirmou Flávia.

A situação é bem diferente para os atletas que nadam no exterior. César Cielo, medalha de ouro nos 50 m livre e bronze nos 100 m livre dos Jogos de Pequim, conta com o bloco desde o meio do ano passado. "Uma semana depois que o bloco foi usado no evento teste de Pequim, a universidade (de Auburn, onde treina) já tinha o seu, para treinamento", conta o nadador. "São detalhes como esse que fazem diferença quando você treina lá fora", completa.

O velocista também prevê ganho de performance com a inovação. "Sou um dos caras que tem uma das melhores saídas nos 50 m com este bloco. Para mim está sendo ótimo, porque acho que vai me ajudar em relação a tempo. Pelo menos em Auburn (onde treina nos EUA) ninguém me pegava. Os mais prejudicados, porém, vão ser os que saem com os dois pés na frente e os baixinhos", afirmou o atleta.

Utilizado nas etapas de Berlim e Estocolmo da Copa do Mundo de piscina curta, o bloco "protagonizou" um total de quatro quebras de recorde. O primeiro a se aproveitar da tecnologia foi o sul-africano Cameron Van der Burgh, que estabeleceu nova marca nos 50 m peito com 25s94. No dia seguinte, foi a vez da sueca Therese Alshammar cravar 25s31 no nado borboleta.

O recorde da anfitriã da penúltima etapa, porém, não durou muito. Na capital alemã, a australiana Marieke Guherer fez 24s99. Também em casa, o alemão Paul Bierdman nadou os 200 m livre em 1m40s83 e derrubou o recorde estabelecido há oito anos pelo australiano Ian Thorpe.

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