Ronaldo nos gramados e Michael Phelps nas piscinas. O plano de juntar o fenômeno do futebol com o da natação usando a camisa Corinthians pode parecer ambicioso demais mesmo para o mais sonhador dos torcedores.
Mas, segundo o mundo da natação, reunido nesta semana em Palhoça, na grande Florianópolis (SC), é uma alternativa possível. "Quando você fala em Phelps, todo mundo acha que é impossível. Claro que seria caro, mas seria um projeto que se pagaria com mais facilidade do que muita gente pensa", diz o treinador do Pinheiros, Alberto Silva, o Albertinho.
Inicialmente, o Corinthians falou em trazer o astro norte-americano, que conquistou oito medalhas de ouro nas Olimpíadas de Pequim, em agosto, justamente para o Campeonato Brasileiro Open, que começou na quinta-feira. Sem sucesso, o departamento de natação alvinegro garante que segue tentando a contratação do "maior atleta olímpico da história".
"Esse é um plano que segue vivo e está sendo discutido. Ainda mais com a contratação do Ronaldo", afirmou Carlos Mateus, supervisor do Corinthians. Quando revelou o plano, o clube citou duas competições para trazer o fenômeno. Depois do Open, a segunda opção é o Troféu Maria Lenk, em maio do ano que vem.
Pinheiros já tentou. Mas esbarrou no calendárioAs chances de Phelps nadar no Brasil, porém, ficam ainda mais distantes nessa segunda opção. Com o Mundial de Esportes Aquáticos marcado para o final de junho em Roma, na Itália, o norte-americano estará em fase final de treinamento para a competição. E, com isso, esbarraria em um entrave maior, segundo os clubes, do que o preço de trazer o fenômeno ao país: o calendário.
Albertinho conta que, em 2003, o Pinheiros ficou muito próximo de trazer o nadador ao Brasil. Os contatos com o treinador de Phelps, Bob Bowman, estavam adiantados - após intermediação de Gustavo Borges - e os valores, acertados. Quando foram analisar as datas para uma possível vinda, porém, ninguém conseguiu achar uma janela na agenda do nadador.
"O problema para trazer o Phelps ao Brasil é justamente achar um dia em que ele possa vir. Pouca gente sabe, mas já ficamos muito perto de trazê-lo. Tínhamos, inclusive, uma empresa comprometida a bancar o projeto. Falamos com o Bowman, que aceitou a idéia, mas quando fomos bater o martelo, não tinha nenhum dia disponível", explicou o treinador do Pinheiros.
Nem todos, porém, concordam com a estratégia de tentar trazer o nadador ao país. Fernando Vanzela, técnico do Minas, afirmou que o investimento seria alto demais para os resultados esportivos que ele poderia trazer. "Nunca pensamos em trazer o Phelps. Até porque poderíamos trazer outro nadador que conquistaria os mesmos pontos que Phelps nos daria, por um preço muito menor".
Esse pensamento, para Albertinho, é rebatido com facilidade. "O que o Phelps traz é muito maior. Você pode trazer um grande nome, pagar muito menos. Só que, às vezes, é muito mais difícil pagar o investimento feito em um nadador com menos nome. Mas o retorno que Phelps daria ao clube seria quase imediato".