César Cielo veste o maiô. Ele se abaixa, se estica, entra na água, dá algumas braçadas, testa, sai da água, tira o maiô e começa a rabiscar. "Vale tudo o que marcar o tecido. Sabonete, giz, caneta". A rotina de testes do supermaiô que a marca italiana Arena está desenvolvendo especialmente para ele é nova para o campeão olímpico brasileiro. Mesmo assim, divertida.
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 Em Santa Catarina, durante a disputa do Campeonato Brasileiro Sênior, César Cielo perdeu a final dos 50 m livre, em que foi campeão olímpico, para o jovem Bruno Fratus. À tarde, deu o troco, vencendo o Torneio Open com 21s84. No domingo, já no desafio internacional de Fortaleza (CE), que contou com o norte-americano Jason Lezak, ele venceu com 21s72.
Na final em Pequim-2008, ele quebrou o recorde olímpico em 21s30. "Não está nada mal. Baixar de 22 segundos com um maiô que está larguinho. Tenho certeza que estamos perto do ideal", disse o nadador. |
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"Olha, esse já o quarto protótipo que eles me mandam. E sempre tem alguma coisinha para melhorar. Nadador tem o corpo todo estranho. O ombro é muito largo, a cintura é fina e as coxas, grossas. É difícil você colocar tudo isso em um maiô", conta Cielo.
"Por isso, eu e a Arena estamos nos falando bastante, eu mando as minhas impressões, devolvo o maiô todo rabiscado, eles devolvem com alterações. É algo diferente, mas estou me divertindo muito. Nessa fase, é mais legal até do que nadar", confessa o atleta.
O acordo com os italianos foi fechado em outubro. Ao lado do francês Alain Bernard, ouro nos 100 m livre, Cielo é a grande aposta da Arena para o ciclo olímpico de Londres-2012 - o contrato de patrocínio, inclusive, vai até os Jogos ingleses. Com isso, os dois estão desenvolvendo trajes que se ajustem perfeitamente ao corpo.
Até agora, Cielo tem encontrado algumas dificuldades. "Os primeiros que eles me mandaram apertavam um pouco na perna. Mandei de volta e eles fizeram os ajustes. Mas acho que inconscientemente, acabaram deixando a cintura um pouco mais larga também. Esse que usei aqui (no Campeonato Brasileiro Open, em Santa Catarina), por exemplo, está um pouco largo na cintura".
Esse não é o primeiro problema que o brasileiro teve com os maiôs italianos. No seu primeiro teste em competição, durante o Campeonato Paulista, no mês passado, um dos protótipos enviados acabou rasgando enquanto o brasileiro tentava vesti-lo.
O processo de desenvolvimento do novo traje é o mesmo que a Speedo fez com Michael Phelps para os Jogos Olímpicos de Pequim. O LZR Racer, usado para quebrar grande parte dos recordes mundiais que caíram na temporada, foi desenhado pensando no fenômeno norte-americano.
Em Pequim, Cielo usou o maiô da Speedo graças ao seu técnico, o australiano Brett Hawke. Foi ele quem ficou duas horas na fila, esperando a vez para conseguir um maiô para o pupilo. A CBDA chegou a prometer que os LZRs seriam entregues aos brasileiros antes do Jogos, mas os nadadores só tiveram acesso quando chegaram ao Cubo D'Água, para as Olimpíadas.