UOL Esporte Natação
 
22/12/2008 - 08h05

Para especialistas, natação aproveita para ganhar espaço com tecnologia

Bruno Doro
Em São Paulo
Em 2008, natação teve mais de 100 quebras de recorde mundial. O número assusta e gera discussões das mais variadas. A mais comum é sobre o quanto os novos supermaiôs tem de responsabilidade nessas marcas. Segundo nadadores e treinadores, essa discussão não é prejudicial ao esporte, mas uma arma que deve ser usada para dar mais visibilidade.

Satiro Sodre/CBDA/Divulgação
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"A natação tem mais é que aproveitar isso mesmo. O bloco é outra coisa que a Fina está usando para trazer discussão sobre natação e ganhar visibilidade com isso. Primeiro foram os maiôs, agora os blocos. Estão aproveitando para não sair de evidência", diz o campeão olímpico César Cielo.

"Dificilmente teremos em 2009 o mesmo número de recordes mundiais que tivemos em 2008. Mas o que a Fina está fazendo é manter o momento em que a natação está em alta. Essa discussão de se foi o nadador ou o maiô que bateu o recorde mundial pode parecer ruim, mas é boa. O esporte deu um passo além dos demais. E o bloco chega nesse contexto", completa o técnico Alberto Silva, o Albertinho.

O problema, porém, é que essas inovações escancaram um problema na natação brasileira: a defasagem tecnológica. O novo bloco, que deveria ser usado no Mundial de Roma, mas corre o risco de ter sua estréia adiada, por exemplo, ainda não tem previsão de chegada ao Brasil. Os novos supermaiôs, principalmente o Speedo LZR Racer, só chegou às mãos dos nadadores brasileiros em Pequim.

"O Brasil tem uma deficiência de empresas que trabalham com tecnologia de ponta esportiva. Nós conseguimos evoluir um pouco nesse aspecto durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, mas é só com a organização de grandes eventos que conseguimos essa evolução. Por isso, organizar os Jogos Olímpicos é tão importante. Temos de estar perto das novas tecnologias", diz o supervisor técnico da Confederação Brasileira e membro do comitê técnico da Fina, Ricardo de Moura.

Segundo ele, esse é um problema que os brasileiros só poderão superar com um planejamento muito bem feito. "O novo bloco, os maiôs, tudo é só a ponta do iceberg. Não dá para negar que, hoje, a natação é um esporte que está sendo muito influenciado pela tecnologia. E para que um país não fique defasado, ele precisa dessa tecnologia. Só que tudo isso é caro e temos de criar um orçamento que prevê isso".

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