UOL Esporte Natação
 
02/01/2009 - 07h34

Thiago Pereira rejeita, por enquanto, mudança para os EUA

Bruno Doro
Em São Paulo
Antes das Olimpíadas de Pequim, Thiago Pereira era o grande nome da natação nacional. Hoje, ofuscado pelo campeão olímpico César Cielo, ele tenta encontrar uma maneira de chegar ao pódio olímpico. O caminho óbvio é mudar para os Estados Unidos - e ele já está sendo pressionado para isso.

AFP
Feliz no Minas, Pereira descarta seguir os passos do campeão olímpico César Cielo
VISITE O SITE OFICIAL DO NADADOR
LEIA AS ÚLTIMAS DA NATAÇÃO
Mesmo assim, o nadador fluminense, radicado em Minas Gerais, ainda rejeita deixar o Brasil. "Vou seguir por aqui. Estou muito bem no Minas, foi treinando lá que consegui os melhores resultados da minha vida. Não tem porque mudar. Não vou dizer que nunca vou para os EUA. Mas em 2009, acho que isso não vai acontecer".

A relutância em voltar aos Estados Unidos tem origem em sua primeira passagem pelo país. Em 2005, logo depois de ser finalista dos Jogos Olímpicos de Atenas, ele tentou a sorte na Flórida. Aos 17 anos, ainda não tinha idade para fazer faculdade. Mas quando chegou a hora de decidir por onde nadar, escolheu voltar para o país.

"Fiquei um ano na Flórida e desisti. Em 2006, o (técnico Fernando) Vanzela foi para o Minas, tinha um projeto que me agradou. E foi um trabalho que deu muito certo, tanto que meus melhores tempos vieram com ele", explica o nadador.

Apesar da negativa, ainda existe a chance de Pereira partir para terras ianques. O nadador está fechando patrocínios para o próximo ciclo olímpico. Uma das empresas interessadas pode bancar a mudança. Além de treinar, o nadador também quer estudar em uma universidade norte-americana - ele não poderá defender a faculdade, já que é considerado profissional pelas regras da liga universitária.

O modelo foi consagrado por César Cielo que, mesmo sem poder voltar a competir pela Universidade de Auburn, continuará morando por lá nos primeiros seis meses do ano. "É um modelo que deu muito certo para mim e vou seguir fazendo. Acho que cada um tem que procurar o modelo ao qual se adapte", analisa.

Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes não chega a criticar a troca do Brasil pelos EUA, mas afirma que ela não é necessária. "Aqui no Brasil temos os melhores técnicos do mundo. Muita gente fala que o Cielo foi para os EUA e ganhou o ouro por causa disso. Mas ele já foi para lá como atleta formado. E formado por técnicos brasileiros. Não devemos nada a ninguém".

Morando por lá ou não, os EUA devem ser um destino freqüente de Pereira em 2009. Com seu calendário definido, ele incluiu várias provas do circuito norte-americano. O objetivo é estar sempre perto de seus dois grandes rivais nas provas de medley, o fenômeno Michael Phelps e o também norte-americano Ryan Lochte.

"A diferença é que a competitividade é muito maior (nos EUA). Lá, a cada 15 dias você está nadando contra os melhores do mundo. E isso sem contar as competições universitárias. É claro que isso é um atrativo. Por isso, meu planejamento é nadar muito nos Estados Unidos, até porque os dois melhores tempos da minha prova estão lá", explica.

O grande objetivo de Pereira em 2009 é o Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma, na Itália. Será o primeiro grande teste para o ciclo olímpico de Londres-2012. Sua meta é chegar à Inglaterra mais próximo dos melhores do mundo. "Tenho quatro anos e quatro anos é muito tempo. Tudo pode acontecer. Não tenho como prever, mas acho que posso chegar neles".

Compartilhe:

    Receba Notícias

    Hospedagem: UOL Host