UOL Esporte Natação
 
05/01/2009 - 08h03

Incentivando profissionalismo, Copa do Mundo em piscina curta divide opiniões

Bruno Doro
Em São Paulo
Fabíola Molina conquistou 16 medalhas na Copa do Mundo de 2008. Seis delas de ouro - e ainda quebrou seis recordes sul-americanos. Tudo isso, porém, virá sempre com um asterisco: piscina curta. No mundo da natação, a validade de um circuito como esse não é discutida. Os 25 metros da piscina, sim.

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"A piscina longa é mais valorizada por ser a piscina olímpica, mas o circuito de 25 metros também é importante. O principal é o que ele está fazendo para profissionalizar o esporte. Circuito de provas, premiação em dinheiro, divulgação. E o nível é alto. Pode não ter todas as estrelas mundiais, mas ainda assim tem nomes grandes", defende Molina, que em 2008 se tornou a primeira brasileira a disputar todas as etapas do circuito.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, a piscina curta acaba afugentando a elite da natação. "Copa do Mundo de 25 metros só deveria ser disputada em anos que antecedem os Mundiais de 25 metros. Nos outros anos, deveria ser em piscina longa, porque aí valeria índice para Olimpíadas e Mundiais. Não tem sentido fazer competição em piscina de 25 e nenhum dos tops competir. Agora, valendo índice, todos vão querer participar. Ninguém gosta de perder a vaga", diz o dirigente.

O discurso de Coaracy encontra eco entre os atletas. "Esse ano (2008), foi muito bom ter disputado uma etapa da Copa do Mundo na Europa, você tem contato com nadadores de fora, esse intercâmbio é saudável. Mas é claro que era melhor que o circuito fosse em longa", diz Gabriella Silva, sétima colocada nos 50 m borboleta, única brasileira finalista olímpica em Pequim-2008.

Apesar da discussão, o circuito tem defensores. César Cielo, campeão olímpico, disputou neste ano apenas a etapa de Belo Horizonte. Para ele, existem temporadas ideais para competições assim. "Eu acho muito válido. Se você pegar as temporadas de 2010 e 2011, por exemplo, são anos ideais para você disputar o circuito. O segundo semestre costuma ser mais fraco de competições e é uma boa maneira de você seguir competindo, continuar aparecendo", analisa.

O que muitos temem, porém, é que a participação em um circuito com apoio da Federação Internacional, mas sem a elite do esporte, possa mascarar o nível da natação. Um recorde mundial em piscina curta, por exemplo, dificilmente se traduz em bons resultados em piscina longa.

"É claro que a gente não deve ser ingênuo, fazer resultado nas Copas do Mundo e achar que está tudo uma maravilha. Não se pode mascarar os resultados. Os principais países nem sempre vão, as estrelas não nadam. Mas não é por isso que você acaba com o circuito", afirma o técnico da seleção brasileira e do Pinheiros, Alberto Silva, o Albertinho.

Mesmo assim, o contato com atletas de outros países acaba valendo a pena. Na etapa de Belo Horizonte do circuito, por exemplo, além de Cielo, outro campeão olímpico disputou a competição: o tunisiano Oussama Mellouli, ouro nos 1500 metros. Mellouli participou das sete etapas da Copa do Mundo e terminou com 35 medalhas, 28 de ouro.

"O intercâmbio que você consegue fazer é muito importante. É incrível ver como os atletas evoluem a cada etapa. É só ver como a Therese (Alshammar) ou o Oussama estavam em Belo Horizonte e como estavam na última etapa. É um torneio competitivo e que tem muitas qualidades", fala Albertinho.

"Um atleta vai para a Copa do Mundo e tem intercâmbio com muita gente. Podem não estar os melhores do mundo, mas ainda assim é uma competitividade muito grande. E é um circuito em que se descobre muita gente. A australiana (Marieke Gueher) que ganhou, por exemplo, é jovem e quase ninguém conhecia", completou o treinador.

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