A nadadora brasileira Rebeca Gusmão, que ainda tenta provar inocência em dois casos de doping e está banida das piscinas, não descarta uma volta à modalidade, mesmo hoje se aventurando no futebol feminino. No entanto, a brasiliense afirmou que seu retorno pode ser defendendo as cores de outro país que não o Brasil.
"Se voltar a competir pelo Brasil será pelos meus fãs, pelas pessoas que acreditam em mim", afirmou a nadadora, em entrevista ao jornal
Lance. "Não (será) por entidades, seja COB, CBDA... Independentemente de eu estar por Brasil, Estados Unidos ou qualquer outro país da Europa, estarei pelos meus fãs."
Terça-feira será um dia decisivo na carreira de Rebeca, já que ela enfrentará sua última chance de defesa no caso de doping, frente à Corte Arbitral dos Esportes (CAS), na cidade de Lausanne, na Suíça. A brasileira estará presente no julgamento, tendo viajado junto a dois advogados.
"Contei nos dedos para chegar este dia. Tem muita coisa guardada dentro de mim, que eu quero falar, mostrar para os juízes. São muitas provas e documentos. Não é possível que não se faça nada diante de tudo o que aconteceu. É um dia de botar para fora, é muito ruim que a sua vida esteja nas mãos de outras pessoas", comentou a nadadora, pega por excesso de testosterona.
Segundo ela, várias regras foram quebradas durante suas acusações, o que a faz acreditar em uma possível absolvição e, assim, uma volta mais rápida às piscinas. "Fui humilhada pelas pessoas responsáveis pelo esporte do nosso país. É frustrante. Ninguém parou para me perguntar o que aconteceu, mandaram me punir", desabafou.
Entre outras críticas, Rebeca se mostrou contra a realização dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016. "Eu não sei qual é o maior interesse em realizar Olimpíadas no Brasil. Ao invés de se gastar dinheiro com isso, deveríamos investir nos nossos atletas. O Pan foi maravilhoso, mas o (Parque Aquático) Maria Lenk está lá, cheio de mosquitos de dengue. Precisamos de gente séria, investindo nos atletas e tirando os meninos da rua."
Sobre sua nova paixão, o futebol, Rebeca se mostrou mais alegre e até cogitou seguir carreira nos dois esportes, paralelamente. "O futebol preencheu um vazio que senti por alguns meses. Estou adorando. Prefiro pensar que voltarei a nadar e continuarei jogando bola. Fazer os dois seria maravilhoso, pois acho que o futebol vai me dar muita resistência, vai me ajudar até eu voltar à minha antiga forma."