UOL Esporte Natação
 
06/04/2009 - 07h50

Polêmica sobre uso de dois maiôs divide nadadores brasileiros

Bruno Império
Em São Paulo
ELAS USAM DOIS MAIÔS
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Antes de proibição definitiva, Federica Pellegrini bateu recorde com dois maiôs
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Therese usou dois LZR's na Austrália e teve seu recorde dos 50 m borboleta anulado
COMO FUNCIONAM OS MAIÔS
RECORDE DE THERESE É ANULADO
PELLEGRINI FAZ RECORDE NA CHINA
ITALIANA SUPERA MARCA EM CASA
Na Austrália, a nadadora sueca Therese Alshammar teve o recorde mundial dos 50 m borboleta anulado por nadar com dois maiôs. Em competição nos Estados Unidos, um nadador venezuelano tirou o maiô na beira da piscina porque foi proibido de utilizar uma sunga sob a indumentária high-tech. Ao redor do mundo, a nova determinação da FINA (Federação Internacional de Natação) de limitar o uso dos trajes divide nadadores. E, no Brasil, não é diferente.

"Vai ser muito estranho, agora, eu nadar sem uma sunga por baixo. Sempre nadei assim, desde quando usava calça", afirma Thiago Pereira. Dentre os atletas procurados pelo UOL Esporte para falar sobre a nova regra, o nadador do Minas Tênis Clube foi o único que admitiu o uso de duas peças com regularidade. Porém, ele mesmo garante que existem outros casos.

"É comum [o uso de sunga por debaixo dos novos maiôs]. Entre as mulheres, então o uso é ainda mais frequente. Muitas colocam o 'sunkini' (espécie de top) porque esses novos modelos são muito cavados. E não vejo como isso possa representar um ganho de performance", completa o nadador.

César Cielo, que nega usar qualquer peça sob a indumentária da patrocinadora Arena, confirmou a tese de Pereira. "Muita gente sempre usou a sunga por baixo. No Brasil mesmo e fora também. Na Europa, o pessoal costumava usar até um maiô por baixo do outro. Talvez para as meninas seja mais confortável ter algo por baixo do maiô", diz o campeão dos 50 m livre nos Jogos de Pequim.

As palavras de Pereira e Cielo se encaixam com perfeição no caso da italiana Frederica Pelegrini. No Campeonato Italiano, a nadadora quebrou o recorde mundial dos 200 borboleta usando um maiô sob o traje da Jaked. Para a velocista brasileira Flávia Delaroli, a 'estratégia' de Pelegrini não representa ganho, mas as regras estabelecidas pela FINA precisam ser obedecidas.

O QUE ELES PENSAM SOBRE MAIÔS
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Flávia Delaroli: "Eu não acredito que dê ganho o uso de algo por baixo do maiô para proteger as partes íntimas"
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César Cielo: "Muita gente sempre usou a sunga por baixo. No Brasil mesmo ou fora do país. Na Europa vi bastante gente usar"
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Fabíola Molina: "Em 2003 o Alexander Popov já nadava com duas peças. Na minha opinião, a FINA está atrasada"
Flávio Florido/UOL
Thiago Pereira: "Vai ser muito estranho, agora, eu nadar sem uma sunga por baixo. Sempre nadei assim e não vejo diferença"
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Gabriella Silva: "Nunca tinha usado nada por baixo. Mas não vi ganho. Muito pelo contrário, pesa mais e até atrapalha"
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"Eu não acredito que represente ganho o uso de algo por baixo do maiô para proteger partes íntimas, dar mais conforto. Mas quem pode comprovar? Se libera, alguma empresa lança uma sunga ou sunkini de neoprene para enganar. Aí não pode. Dois maiôs também é complicado. Nunca testei, até porque no Brasil a gente não tem tanta disponibilidade para comprar esses maiôs, mas quem já usou diz que flutua melhor", afirma Flávia.

Cielo compartilha da mesma opinião da colega do Esporte Clube Pinheiros. "Eu nunca usei sunga por baixo do maiô porque acho que fica apertado demais. Essa regra não muda nada para mim. É que eu acho que eles preferem não liberar a sunga porque, se não, alguém vai inventar uma sunga de neoprene ou sei lá de que material. Vão inventar alguma coisa para tentar tirar vantagem", diz.

Já Pereira confirma a melhora na performance com dois maiôs: "Usei em treinos e realmente fui mais rápido. Você flutua melhor, realmente é desleal ter dois nadadores competindo sendo que um tem dois maiôs e o outro não. Por isso creio que a determinação veio em boa hora". Cielo discorda: "Já usei duas calças na época dos maiôs antigos. Mas não gostei. É muito apertado. No Paulista do ano passado, no Pinheiros, o zíper do meu maiô estourou. Eu não tinha tempo para trocar e tive de colocar outro por cima, ali mesmo, na beira da piscina. E nadei. Foi horrível. Eu mal conseguia abaixar para pegar na baliza".

No final do mês passado, mesmo depois da FINA proibir o uso de dois maiôs, Michelle Lenhardt caiu na água de um torneio regional em Santos com uma peça high-tech sob a outra, segundo o técnico da seleção Alberto Silva. "Não vi ela ter um ganho real, porque ela não fez polimento para competir, nem nada. E é justamente por isso que acho essa discussão besteira. Porque não existe comprovação científica de melhora de resultado com dois maiôs", afirma.

Na mesma competição, Gabriella Silva diz ter usado um sunkini sob o Blueseventy porque seu traje de alta flutuabilidade estava rasgado. "Nunca tinha usado nada por baixo antes, porque sou pequena e não tenho problemas com a questão de o maiô ser cavado demais. Mas não vi ganho. Pelo contrário, pesa mais e até atrapalha", conta.

Toda a discussão e polêmica em torno do uso de dois maiôs, entretanto, é tardia. Essa é a visão de Fabíola Molina, que também garante nunca ter testado a sobreposição de peças e dispensa o sunkini. "Desde os tempos da calça que isso acontece. Em 2003 o Alexander Popov já nadava com duas peças. Na minha opinião, a FINA está atrasada. Tenta reparar um erro que cometeu", finaliza.

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