UOL Esporte Natação
 
06/05/2009 - 17h06

Recorde mundial? Henrique Barbosa não admite, mas pensa na marca para sábado

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
Henrique Barbosa surpreendeu os mais desavisados no Troféu Maria Lenk, que está sendo disputado no Rio de Janeiro. Após passar despercebido em Pequim-2008, em 2009 ele entrou definitivamente no grupo dos maiores do mundo. E, no próximo sábado, pode subir ainda mais nessa lista.

Após marcar o segundo tempo da história nos 200 m peito nesta quarta-feira, ele avisou que nos 100 m peito, com eliminatórias apenas no fim de semana, ele pode ir ainda melhor. "Estou esperando um resultado ainda melhor. Normalmente, quando eu vou bem nos 200 m, nado bem também os 100 m".

Recorde Mundial? Henrique não usou a palavra. Mas deu a entender que é possível. "Não vou prometer. Mas pode ser melhor (do que fez nesta terça-feira). Os 100 m sempre foram minha melhor prova. Sei nadar, nadei 11 milhões de vezes. É uma prova que tem muita gente forte e isso ajuda. A adrenalina faz você ser ainda mais rápido", diz. O último recorde mundial de um nadador brasileiro em piscina longa foi de Ricardo Prado, nos 400 m medley, em 1982.

Técnico de nado de peito do Pinheiros, clube de Barbosa, Arílson Soares admite que é possível, sim, sonhar com a marca de Kosuke Kitajima, de 58s91. "O Henrique mostra há muito tempo um potencial enorme. Nas Olimpíadas, ele não acertou, o que é normal. Natação não é ciência exata. Mas, hoje, ele tem chance de chegar nesse recorde mundial. É só pensar que, há alguns anos, os nadadores treinavam para fazer 1min04. Hoje, ele nada para 1min00. E pode nadar mais baixo. Acho que ele provou que não acredita mais nas barreiras", analisa o treinador.

O melhor tempo da carreira de Henrique na distância é 01min00s05, do mês passado, no Campeonato Francês, em Montpellier. Nos 200 m peito, ele melhorou sua marca do ano em mais de quatro segundo. Para o Maria Lenk, fez preparação especial. Está 7 kg mais magro do que em Pequim, por exemplo. "Dá para nadar abaixo de 1 minuto", diz o nadador.

Dono da marca mundial ou não, Henrique sabe que, a partir de agora, nadará com a pressão por seus resultados. Como as seletivas européias já passaram e o japonês Kitajima fora do Mundial, ele vai chegar à Itália como um dos principais nomes do nado peito.

"Acho que agora eu virei a mesa. Nunca cheguei em uma competição importante com o status que vou chegar agora. Mas eu tenho 24 anos, não sou mais moleque. Fui campeão universitário, fui campeão americano, fui campeão francês. Isso só vai me ajudar. E eu gosto de nadar sob pressão".

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