Felipe França, 21 anos, é, até agora, a grande estrela do Troféu Maria Lenk. Mesmo assim, pode terminar a competição sem nenhuma vaga no Mundial de Roma. A competição italiana é o grande objetivo dos nadadores na temporada e o torneio no Rio de Janeiro, a última chance para os brasileiros confirmarem a passagem.
Apesar do recorde mundial dos 50 m peito, com o tempo de 26s89, de sexta-feira, ele ainda pode ser superado. Como vão para a Itália os dois melhores em cada prova, desde que tenham o índice, caso dois atletas nadem abaixo de seu tempo na final da prova, a segunda do programa desta manhã, França seria eliminado.
As chances podem ser remotas, mas o alto nível da competição, principalmente nas provas de peito, faz o técnico do recordista mundial rejeitar a vaga antecipada. "Acho que ele sabe que nada está definido, até porque no ano passado foi ele quem roubou uma vaga que estava praticamente garantida", conta Arilson Soares.
A competição ocorreu também no Parque Aquático Maria Lenk. Em 2008, na última seletiva para as Olimpíadas, o favorito para a vaga nos 100 m peito (os 50 m peito, de França, não é olímpico) era Eduardo Fischer. Nas eliminatórias, os índices e recordes brasileiros caíram na seqüência. No final, Felipe França foi uma das grandes surpresas na delegação olímpica brasileira.
Neste ano, a concorrência é ainda maior. França pode ter sido o primeiro nadador a completar a prova em menos de 27 segundos, mas dos oito atletas que foram à final, cinco passaram abaixo do índice exigido para o Mundial.
O melhor deles foi João Júnior, que passou com 27s14, 7 centésimos mais lento que o antigo recorde mundial (de Cameron van der Burgh, com 27s06), quebrado por França. O pior do grupo do índice foi Eduardo Fisher, com 27s37.
12º recordeAos 21 anos, Felipe França bateu o primeiro recorde mundial da história do Parque Aquático Maria Lenk. Coincidentemente, a matriarca da natação brasileira foi também a primeira recordista mundial do Brasil. Em 1939, Maria Lenk bateu o recorde dos 400 m peito (6min15s80). Um mês depois, baixou o tempo dos 200 m peito (2min56s90). Desde então, foram outras dez marcas mundiais brasileiras, em piscina longa e curta.
O segundo recordista brasileiro foi Manoel dos Santos, nos 100 m livre (53s6), em 1961. O terceiro foi José Fiolo, mais uma vez no nado peito, agora nos 100 m, com 1min06s4 de 1968. O último recordista, antes de França, e o primeiro a não conseguir a marca no Brasil, foi Ricardo Prado, nos 400 m medley. Há 26 anos, Prado marcou 4min19s78 no Mundial de Guaiquil, no Equador.
As outras seis marcas são em piscina curta (25 m). Em 1993, Gustavo Borges bateu o recorde mundial dos 100 m livre, com 47s94. Uma semana depois, ao lado de Fernando Scherer, então com 18 anos, João Carlos Júnior e Teófilo Ferreira, Borges liderou o time brasileiro do revezamento 4x100 m livre que virou o mais rápido do mundo, com 3min13s97. O revezamento do Brasil quebrou mais uma vez a marca em dezembro do mesmo ano (3min12s11) e outra, em 1998 (3min10s45).
Os dois últimos recordes mundiais brasileiros são da nova geração. Kaio Márcio quebrou a marca dos 50m borboleta em 2005, com 22s60. Em 2007, depois de ser o grande destaque do Pan-Americano do Rio, Thiago Pereira bateu a marca dos 200 m medley, com 1min53s14.