Os nadadores brasileiros podem agora saber cada detalhe de suas provas e espiar os pontos fortes e fracos dos rivais. Cada um deles terá os rendimentos de seus fundamentos dissecados durante as competições, poderá se comparar aos adversários e ver o que precisa melhorar para derrotá-los.
A ferramenta, um banco de dados virtual, foi desenvolvida pelo biomecânico da seleção, Paulo César Marinho, e estará no site da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. As informações coletadas irão tornar os treinos da equipe nacional muito mais precisos e podem render frutos já no Mundial de Roma, em julho. A equipe será formada neste domingo, após o último dia de provas do Maria Lenk, que começam às 10h.
Durante as disputas das três principais competições do país -Maria Lenk, José Finkel e Open-, os nadadores de todas as séries serão filmados. No Maria Lenk, por exemplo, são quatro câmeras. Cada uma registra uma parte da piscina.
Com base nas imagens, trabalhadas por um software desenvolvido por Marinho, é possível avaliar diversos itens, como as velocidades dos atletas na saída, a cada metro, nas viradas e nas chegadas. Também serão analisados os movimentos, como velocidade e ritmo das braçadas, e quanto o atleta se desloca a cada ação, medindo sua eficiência.
Esses dados também serão organizados em forma de ranking. Será possível saber quem são os atletas mais eficientes em diversos fundamentos. "O atleta poderá ver esses detalhes e ir para a piscina sabendo exatamente o que precisa melhorar. Ele também saberá o que lhe dá vantagem ou desvantagem contra determinados rivais", afirma Marinho.
Durante o Troféu Maria Lenk, o biomecânico já coletou dados interessantes. Na final dos 200 m peito, por exemplo, Henrique Barbosa bateu o recorde sul-americano -2min08s44-, mas perdeu muito mais tempo nas viradas do que Tales Cerdeira, o segundo colocado. Também foi mais lento na largada para a prova.
"Com esses segundos perdidos, ele poderia ter baixado ainda mais o recorde. E a gente sabe que é possível ser mais rápido, já que temos a comparação com um adversário que executou isso", diz Marinho.
Os trabalhos na seleção tendem também a ficar mais específicos. "Se a gente detecta que um nadador tem problema na saída, por exemplo, vamos trabalhar o salto dele, ver que detalhes podemos ajustar para que ele fique mais eficiente."
Cerdeira, por exemplo, deslizou mais na água do que Henrique e manteve ritmo menos intenso de braçadas. O atleta conseguiu economizar energia, mas isso não foi eficiente nessa prova. Os dados podem ajudá-lo a dosar a energia e, na próxima, ter mais chances de vencer.