UOL Esporte Natação
 
10/05/2009 - 08h27

Excesso de energia levou recordista mundial brasileiro às piscinas

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
Felipe França não faz o estilo das estrelas da natação nacional nos últimos anos. Ao contrário de Gustavo Borges, Fernando Scherer ou César Cielo, ele é calado, tímido, "na dele". Quem vê o jovem de 21 anos, porém, dificilmente imaginaria que o hoje recordista mundial dos 50 m peito, a primeira marca do gênero da natação do país em 26 anos, começou a nadar justamente porque não conseguia ficar quieto.

"Ele começou na natação aos quatro anos, para queimar energia. Quando era pequeno, o Felipe era muito agitadinho, não parava nunca. Mas a natação não acalmou ele, não. Só deixou ele mais ligado", lembra a mãe do nadador, Ana Cristina Rodrigues Silva.

A insistência, porém, aos poucos foi dando resultado. Com a evolução de Felipe no esporte, o incentivo aumentou ainda mais. Até que, aos 14 anos, Felipe teve de tomar uma dura decisão. Iria morar com a família, que se mudaria de Suzano para Curitiba, ou seguiria no interior de São Paulo, treinando? A vontade de nadar falou mais alto.

"Ele começou a morar sozinho aos 14, ainda em Suzano, e, em 2005 (quando Felipe tinha 17 anos), conseguimos uma vaga para ele treinar no Pinheiros", conta a mãe. "Mas mesmo morando em Curitiba, sempre acompanhamos o que ele está fazendo. Falamos muito por telefone, pela internet. Já sabíamos há bastante tempo que ele queria quebrar esse recorde", completa dona Ana.

Apesar disso, o momento em que a quebra finalmente veio, nem Ana, nem o pai Davi Alves França da Silva conseguiram se controlar. "Ele já tinha batido essa marca antes, em uma competição no Corinthians, mas a marca não tinha valido. Mas ontem (sexta-feira), quando estava ali em cima (na arquibancada), a mão começou a tremer, não sabia se filmava ou gritava. Foi emocionante", lembra Davi.

Agora, a família já se preparara para abrir espaço na agenda para ir ao Mundial de Roma, em julho. Felipe já está classificado nos 50 m peito e tenta uma vaga ainda nos 100 m. "Essa é a minha prova, minha especialidade", conta o nadador. "Temos de encontrar um jeitinho de ir para a Itália. Vamos montar uma estratégia para não atrapalhar", diz o pai, Davi Alves França da Silva.

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