UOL Esporte Natação
 
11/05/2009 - 09h10

Ouro olímpico, recorde e 15 top ten mudam status do Brasil para Mundial

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
O Brasil vai chegar ao Mundial de Roma, em julho, como um dos países da elite da natação mundial. A mudança de percepção, que já tinha começado com a medalha de ouro de César Cielo nas Olimpíadas de Pequim, no ano passado, se confirmou no Troféu Maria Lenk, que termina neste domingo, em São Paulo.

SUPERMAIÔS IMPULSIONAM BRASIL
Divulgação
Antes do início do Troféu Maria Lenk, os nadadores corriam para comprar o supermaiô Jaked. A movimentação foi tão grande, que quem trouxe peças extras do traje da moda, que usa ao limite os furos da regra da Federação Internacional, conseguiu até ganhar dinheiro no Rio.
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O torneio foi a última seletiva para a formação da seleção brasileira para o Mundial e mostrou altíssimo nível técnico. Ao final da competição, o país, que antes se orgulhava apenas de seu campeão olímpico, agora é dono de um recorde mundial, tem quatro atletas entre os cinco mais rápidos da história em quatro provas diferentes, além de 15 nadadores, em 20 provas, entre os dez melhores do planeta - sem contar o revezamento 4x100 m livre do Pinheiros, que marcou o melhor tempo da temporada no domingo.

Cielo, claro, foi a grande estrela da competição, mas dividiu os holofotes - e não só com Thiago Pereira. A piscina do Maria Lenk, no parque aquático construído no autódromo de Jacarepaguá, viu o surgimento de dois novos astros: Felipe França e Henrique Barbosa. "O fator Cielo mexeu com estrutura técnica e física da natação brasileira. Os garotos correram atrás. O fator de mudança que ele provocou foi tão forte que hoje, ele não foi a peça principal do Campeonato. E olha que ele foi melhor nos 100 m livre aqui do que em Pequim", diz o supervisor técnico da seleção brasileira, Ricardo de Moura.

O primeiro dos que ofuscaram o campeão olímpico é o paulista Felipe França. Tímido e introspectivo, ele é o responsável pelo 12º recorde mundial da natação brasileira (nos 50 m peito), o primeiro em piscina de 50 metros desde Ricardo Prado, em 1982.

O segundo é Henrique Barbosa. Em duas provas olímpicas (os 50 m peito são disputados apenas em Mundiais), ele se tornou o segundo homem mais rápido da história, atrás apenas do japonês Kosuke Kitajima. "Depois do que fizemos aqui, provamos que o nado peito do Brasil está entre as forças do mundo. Mas mais do que isso, é a natação masculina brasileira que está na elite", afirma o nadador.

Mineiro de 24 anos, ele está fora do país há sete anos. Após nadar nos EUA até as Olimpíadas de Pequim, no ano passado ele foi para a França. "Essa mudança de como a natação brasileira é vista no mundo é óbvia. Um jornal de Paris mostrou as principais seletivas de natação do planeta, em um grande mapa. E a brasileira estava lá, com data e local", orgulha-se Barbosa.

Nesse contexto, Cielo e sua medalha de ouro foram importantes. "Acho que é questão de acreditar. Quando você vê que um cara que é seu amigo, que praticamente cresceu com você, sendo campeão olímpico, o jeito de pensar muda", diz Felipe França, de 21 anos. "Depois das Olimpíadas, eu percebei que muitas coisas mudaram. Todos estavam mais profissionais. É bom saber que eu mostrei um caminho para que todos cheguem ao topo do mundo", completa Cielo.

O trio, porém, não é único que está entre os melhores do mundo. Durante o Maria Lenk, outros 12 nadadores entraram no seleto grupo das 10 melhores marcas da temporada. Cielo, por exemplo, tem o 3º melhor tempo do ano (21s33) nos 50 m livre e Nicholas Santos, o 6º (21s74 - marca que o torna o 14º mais rápido da história). A dupla também está entre os dez melhores nos 50 m borboleta.

Nos 50m costas, Guilherme Guido é dono da segunda melhor marca do ano e da quinta melhor da história, com 24s71. Nos 100 borboleta, Gabriel Mangabeira tem o 3º tempo de 2009 e o 8º de todos os tempos (51s21) - Kaio Márcio é o 8º da temporada, com 51s64. O paraibano, porém, é o segundo do ano e o quinto maior de todos os tempos nos 200 m borboleta, com 1min53s92.

Isso sem contar a avalanche de marcas dos 50 m peito. Das dez melhores marcas de todos os tempos, cinco são brasileiras: Felipe Silva é o recordista mundial (26s89), João Júnior é 3º (27s14), Henrique Barbosa, o 5º (27s20), Felipe Lima o 7º (27s29) e Eduardo Fischer o 10º (27s37). Outro peitista, Tales Cerdeira, é o 3º do mundo no ano (2min09s31), na prova de 200 m.

No revezamento, o Brasil também brilhou. O tempo que garantiu o ouro ao 4x100 m do Pinheiros, neste domingo, 3min14s45, virou o melhor do mundo em 2009. O caso foi o mesmo do revezamento 4x100 m medley, com 3min33s83 - o tempo, porém, foi superado pelos times de Austrália e Japão, que fizeram um duelo durante o fim de semana.

Até mesmo Thiago Pereira, que quebrou um osso da mão esquerda e teve sua preparação muito prejudicada, está nessa lista. Seu resultado nos 400 m medley, 4min14s00, é o 7º melhor da temporada. O grupo conta, também, com três mulheres.

Tatiane Sakemi é a 6ª melhor da temporada nos 50 m peito (30s81) e Joanna Maranhão, a 7ª nos 400 m medley (4min40s01) - a marca da pernambucana, porém, está ainda abaixo do que ela própria fez nas Olimpíadas de Atenas, há quatro anos. A terceira mulher é Gabriella Silva. Oficialmente, ela aparece apenas na 12ª posição nos 50 m borboleta(26s18). Mas fez 25s75 nos 50 m livre, nadando borboleta. A marca seria a terceira melhor da temporada.

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