UOL Esporte Natação
 
14/05/2009 - 15h28

Amigos e rivais: Cielo elege Bousquet, seu colega de treinos, como "ameaça"

Maurício Dehò
Em São Paulo
O perigo mora logo ao lado para o brasileiro César Cielo. Literalmente, já que o campeão olímpico dos 50 m livre tem de ficar de olhos abertos para um companheiro de piscina, o novo recordista mundial da prova, Fred Bousquet, da França. Para o paulista, este será o seu principal adversário, na dura luta por uma medalha de ouro no Mundial de Roma, na Itália, em julho.

Bousquet, que bateu a marca do australiano Eamon Sullivan (21s28) ao fazer 20s94 no campeonato francês de natação, é um dos nadadores que treinam na Universidade Auburn, nos Estados Unidos, sob o comando do técnico Brett Hawke. O australiano é justamente o treinador de Cielo e divide as atenções com outros especialistas nas provas de velocidade em nado livre.

"Entre os 20 melhores, pelo menos sete treinam comigo em Auburn", contou o nadador, em evento do Clube Pinheiros, o qual defende. "Os favoritos no Mundial serão os mesmos das Olimpíadas e mais o Bousquet. Claro que a sorte conta, mas, para um cara bater um recorde mundial, não funciona só desta maneira."

Segundo Cielo, o clima é um misto de amizade e rivalidade nas piscinas de Auburn, já que a luta por resultados acaba confrontando os colegas. "O Brett (Hawke) é quem tem de segurar as coisas. Você não pode perder para o seu companheiro todo dia, então ele sempre realiza treinos diferentes, às vezes não confronta dois nadadores que se enfrentarão. O mais importante é ter controle mental", explicou Cielo.

Mas, se os nervos muitas vezes podem ficar à flor da pele, o brasileiro e o francês tratam de deixar tudo na água da universidade. Cielo diz que é um grande amigo do novo recordista mundial, e que as diferenças são deixadas de lado. "Nós temos um pacto de não levar para fora o que acontece em competição. Fora d'água nossa relação é muito bacana", afirmou o campeão olímpico, de 22 anos.

Sobre a sua preparação para bater o "colega/rival", Cielo voltará para os Estados Unidos. Adepto do ditado que é bom manter os amigos próximos, os inimigos mais ainda, ele considera um fator positivo nadar ao lado dos adversários. "Entrar num final e ver um cara que treina comigo do lado é melhor, me sinto mais confortável e até mais preparado."

Recordes como o de Bousquet e de Alain Bernard, nos 100 m livre, outra prova forte do brasileiro, são um incentivo, até pela dificuldade em retomar o ritmo pós-Pequim.

Efeito Cielo no Mundial
Considerado um dos fatores que ajudou na criação de novos talentos, como Henrique Barbosa e Felipe França, Cielo se diz feliz em ajudar, mas refuta um papel de professor. Para ele, o mais importante foi os companheiros terem percebido que é necessário muita disciplina, tornando a natação brasileira ainda mais profissional.

Para o nadador, o Brasil deve ter um bom desempenho no Mundial de Roma, comprovando o status de país grande natação. "Não vamos passar em branco no Mundial. Acho que vamos ter pelo menos umas três medalhas nesta competição", analisou o paulista.

Além de tentar repetir o ouro nos 50 m livre, que conseguiu nos Jogos Olímpicos de Pequim, Cielo também se considera um dos favoritos para um bom resultado nos 100 m livre, prova que teve seu recorde batido em abril por Alain Bernard, com 46s94.

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