UOL Esporte Natação
 
15/05/2009 - 07h16

Com feito de Felipe França, Brasil já aposta em estrutura própria

Maurício Dehò
Em São Paulo
Se o ouro olímpico de César Cielo foi uma grande conquista para a natação brasileira em geral, ajudando a modalidade a aparecer ao grande público por meio de um bom resultado, o recente recorde mundial de Felipe França segue a mesma linha. O detalhe especial é que, ao contrário de seguir a tendência de treinar fora do Brasil, o paulista, especialista no nado peito, é o primeiro dos novos nomes que segue se preparando no país.

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Enquanto César Cielo está na Universidade de Auburn, Thiago Pereira sempre recorre aos Estados Unidos e Henrique Barbosa está nadando na França, Felipe treina em São Paulo, junto ao técnico Arilson Soares. A dupla conseguiu na última semana a melhor marca do mundo dos 50 m peito - distância não Olímpica -, com 26s89 no Troféu Maria Lenk, no Rio.

"Hoje, no Brasil, a estrutura é excelente. Eu fui criado aqui, desde 2005 e, se cheguei aqui, é porque temos totais condições de termos bons resultados", afirmou Felipe França, que treina sob os cuidados do técnico Arilson Soares no Pinheiros.

Se França acredita que pode ir além sem sair do país, Cielo ainda não descarta deixar os treinamentos nos Estados Unidos. Para ele, no entanto, tudo depende do atleta. "Sempre tivemos uma boa estrutura. Hoje, a questão não é mais em treinar onde é melhor, mas onde é melhor para cada nadador. A natação é muito individualista e, no meu caso, eu me sinto melhor em Auburn", afirmou o campeão olímpico.

Cielo usou os exemplos de Thiago Pereira, que faz a maior parte de seus treinos em Belo Horizonte, com o clube Minas, e Kaio Márcio, que realiza a sua preparação treinando na Paraíba, para explicar seu ponto.

Entre os técnicos, Arilson Soares, que trabalha com seis nadadores de peito do Pinheiros, incluindo Felipe França, pensa que esta era uma realidade que passou a ser visível mesmo antes do ouro de Cielo. "Já sabíamos que tínhamos condições de fazer estes resultados, tanto que o crescimento do Cielo foi aqui. Agora, chegamos com uma equipe maior, criamos mais oportunidades. Sempre tivemos esta certeza", opinou ele.

Soares lembra que, mesmo com uma boa estrutura dentro do país, não é possível descartar o intercâmbio entre outros países. A troca de informações permite que novas técnicas sejam incorporadas ao trabalho, mantendo a evolução dos nadadores dentro da piscina.

A maior dificuldade para os brasileiros fica pela possibilidade de conciliar treinamentos e estudo, além da falta de competitividade em comparação a outros países. "Eu tenho a visão de que Cielo ganhou treinando fora, mas que ele foi para lá pronto", afirmou Alberto Silva, o Albertinho, que trabalha com o nadador quando ele está no Brasil. "O que ainda precisamos é um trabalho de apoio. Treinar e estudar no Brasil é complicado e, para competir, ainda temos de sair do país."

Nadadores descartam tecnologia
Enquanto a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos passa a disponibilizar um banco de dados com informações dos nadadores, as maiores estrelas do Brasil no momento, César Cielo e Felipe França, descartam fazer uso destes dados no momento.

Um dos motivos é a estrutura com que já contam. Felipe França, por exemplo, afirmou que já possui dados deste tipo. "Nós temos um biomecânico que já cuida bem disso, então não seria relevante. Mas é sempre uma boa iniciativa", afirmou França.

Os fundamentos de cada nadador são 'dissecados' por câmeras implantadas durante as competições. Com o auxílio de softwares, diversos fundamentos são avaliados e é possível se acertar detalhes do nado preciosos para que se ganhe décimos e centésimos dentro da piscina. Tudo estará à disposição dos atletas na página virtual da CBDA.

Cielo, por sua vez, afirmou acreditar pouco no uso de recursos tecnológicos e tem seus principais rivais treinando ao seu lado na piscina. "Acho que os recursos de vídeo são legais para competição, que dá tempo de corrigir alguma coisa. Mas, nos treinos, o tato do técnico é o que conta mais, para corrigir as coisas na hora, na piscina", comentou ele.

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