Os exercícios e as horas de treinos ainda são extenuantes, mas, duas vezes por semana, Dara Torres prefere ficar em casa. Não é luxo nem preguiça. Aos 42 anos, ela precisa ouvir seu corpo e descansar. Ainda quer fazer história na natação.
Em Pequim-2008, a norte-americana se tornou a mais velha nadadora a conquistar uma medalha olímpica. A partir de amanhã, na seletiva de seu país, em Indianápolis, começa a jornada para repetir o feito no Mundial de Roma, neste mês.
Como Dara, mulheres maduras, próximas dos 40 anos, têm mostrado cada vez mais que podem se manter na elite do esporte, apesar da idade.
"Esse pode ser apenas meu segundo Mundial [o primeiro foi em 1986]. Não sei porque não estive em outros, mas isso tem feito eu me sentir quase uma novata", brinca Dara, mãe de uma menina de 3 anos, em entrevista por telefone.
Na mesma Olimpíada em que a norte-americana brilhou na piscina, outra veterana mostrou resultado no asfalto. Constantina Dina, aos 38, levou o ouro na maratona. Hoje, aos 39, a romena ainda planeja continuar a correr em alto nível.
"É impossível não sentir mudanças. A idade é importante, e você não tem como melhorar se não ouvir os sinais de seu corpo. Mas sempre fui cuidadosa nos treinos, evitei lesões e me preocupei com a recuperação. Vou tentar continuar na elite por muitos anos", afirma ela.
Os cuidados por causa da idade incluem "luxos" na rotina das veteranas. Além de treinar "a metade" do que costumava, Dara faz massagens três vezes por semana. Constantina abusa de banhos na jacuzzi e dorme nove horas por noite.
"A atenção na recuperação fica muito maior [com a idade]. Você não poderá se esforçar nos treinos se não estiver descansada", diz a romena, mãe de um adolescente de 15 anos.
Com o passar dos anos, o tempo para o descanso, porém, também pode ficar mais restrito. E não por excesso de treinos ou competições. Dividir o tempo entre o esporte, os filhos e casa exige muita dedicação.
Dani Genovesi, 41, precisou mobilizar toda a família para atingir seu maior feito. No fim de junho, tornou-se a primeira latino-americana a vencer a Race Across America, a prova mais dura do ciclismo -4.800 km de costa a costa nos EUA.
Três meses antes da corrida, ela iniciou treinos que chegaram a durar 20 horas por dia.
"Foi duríssimo. Diminuí o trabalho [é personal trainer], me afastei da família, deu muita saudade", afirma a ciclista.
Para amenizar a distância, sua mãe levava o neto mais novo, de 2 anos, para acompanhá-la em algumas de suas viagens.
A filha do meio, Julia, 16 [o mais velho tem 18 anos], foi responsável por alimentar a mãe durante a competição nos EUA.
"Foi um sofrimento terrível, mas também foi uma festa", diz Dani, que já tem novo desafio: no fim do ano, vai atravessar a Costa Rica de bicicleta.