A equipe brasileira de natação viajou nesta sexta-feira para Rio Maior, em Portugal, para finalizar a preparação para o Mundial de Roma. Na bagagem, a responsabilidade de provar que o novo status da natação verde-amarela, top mundial desde a explosão de recordes do Troféu Maria Lenk, em maio, não foi apenas um acidente de percurso.
Na era da polêmica dos maiôs, o Brasil chega à principal competição da temporada com 17 tempos entre os dez melhores do planeta na temporada. Em 12 provas diferentes, brasileiros são top 10. Na lista, não brilha apenas o primeiro campeão olímpico do país, César Cielo, dono do 2º melhor tempo da história nos 50 m livre (21s14) e do 4º melhor do ano nos 100 m livre (47s60).
O time chega ainda com um recordista mundial, o tímido Felipe França, dos 50 m peito (26s89). A prova, aliás, é a mais forte da natação brasileira. No Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro, foram nadadas quatro das dez melhores marcas de 2009 até agora. João Júnior (27s14) é o terceiro da lista, Henrique Barbosa (27s20) é o quinto e Felipe Lima (27s29), que nem ao Mundial vai, é o nono.
"Quando terminou o Maria Lenk, muita gente estava cética em relação aos resultados que conseguimos por lá. Achavam que, quando terminassem todas as seletivas, os brasileiros não estariam mais tão bem. É claro que perdemos algumas posições, mas ainda assim, temos muita gente entre os oito, os dez melhores do mundo", comemora o técnico Alberto Silva, o Albertinho.
Esse é o caso de Henrique Barbosa, que aparece entre os cinco melhores nos 50m, 100m (2º, com 59s03) e 200m (4ª, 2min08s44) peito, Guilherme Guido, 3º do mundo nos 50 m costas (24s71) ou Gabriel Mangabeira, 7º nos 100m borboleta (51s21). "Eu fui para três Mundiais e esse é o time mais talentoso do qual eu fiz parte", analisa Mangabeira.
O desafio, agora, será transformar o favoritismo em resultados concretos. Para isso, os brasileiros têm um exemplo caseiro: César Cielo. Após o ouro nos 50 m livre e o bronze nos 100 m livre, ele provou que um nadador do país pode enfrentar, e vencer, favoritos norte-americanos ou australianos - e, no caso de Cielo, franceses.
"Os EUA seguem com a supremacia pelo número de nadadores bons que têm. Mas na ponta, nos melhores tempos, eles não estão mais isolados. A diferença é mínima, com representantes de todos os países. Hoje, a evolução dos treinamentos corre muito rápido pelo mundo inteiro e a cada minuto surge um novo talento", diz Albertinho.
"Nossos atletas puderam ver essa evolução e, principalmente, começaram a acreditar que é possível bater de frente com qualquer um. Agora, só falta chegar no Mundial, colocar a prova debaixo do braço e pegar o que eles já conquistaram. Só falta aprender a vencer. Algo que o César mostrou como se faz", completa o treinador.
A aclimatação do Brasil será feita na pequena cidade de Rio Maior, em Portugal. O time chega à cidade noo fim de semana e vai para Roma no meio da semana. As provas de natação começam no dia 26.
O local é um centro de treinamento, com conforto, mas sem luxo. "A comida é a melhor que já vi em um centro de treinamento, melhor até do que hotel. Não teremos luxo, mas teremos o que precisamos para esse fim de temporada", fala Albertinho.
* Tempos realizados em torneios nos EUA, não no Maria Lenk
** Equipe formada por Nicolas Oliveira, César Cielo, Nicholas Santos e Fernando Silva
*** Equipe formada por Guilherme Guido, Gabriel Mangabeira, Henrique Barbosa e César Cielo