UOL Esporte Natação
 
19/07/2009 - 07h12

Brasileiros mudam estilo e vão nadar "crawl de Phelps" no Mundial

Bruno Doro
Em São Paulo
Dois nadadores brasileiros vão nadar o Mundial de Roma, a partir do próximo fim de semana, com um novo estilo. Ao invés de dobrar os cotovelos ao rotacionar os braços fora da água, Nicholas Santos e Flávia Delaroli vão fazer o movimento com os braços esticados.

É o mesmo estilo que o maior nome da natação mundial, Michael Phelps, está tentando usar em seu nado crawl. O norte-americano está em processo de transição, para disputar as provas de velocidade da natação. Os grandes sprintistas do mundo, como o campeão olímpico César Cielo e o recordista mundial dos 50m livre Fred Bousquet, já nadam assim.

A transição, porém, não é das mais fáceis. "É como se eu estivesse aprendendo a nadar novamente, após dez anos de seleção brasileira", conta Flávia Delaroli, que desde sábado está em Rio Maior, em Portugal, fazendo a aclimatação para a competição com a equipe brasileira.

Segundo Alberto Silva, o Albertinho, técnico da seleção brasileira, não é apenas a movimentação dos braços que muda com o novo estilo. Os braços esticados aumentam a rotação e o número de braçadas, exigindo mais força em grupos musculares diferentes dos usados com a técnica anterior.

"No começo é bem estranho. Você começa dando uma braçada com o braço esticado e outra com o braço dobrado, porque falta força para conseguir o movimento integral. Eu levei alguns meses para me acostumar, mas agora já estou adaptado", diz Nicholas Santos, que começou a mudança pouco antes da seletiva brasileira para o Mundial, em maio.

Paulo César Marinho, o PC, biomecânico da seleção, trabalha no aperfeiçoamento dos movimentos dos nadadores brasileiros. Ele conta que a inovação dos braços esticados começou com o sueco Stafan Nystrand. "Depois, alguns nadadores começaram a nadar assim. Foi então que o Eamon Sullivan quebrou os recordes mundiais com o novo estilo e todos começaram a usá-lo", lembra PC.

O caso é semelhante ao que ocorreu com o nado peito. Ícone da natação japonesa, Kosuke Kitajima foi o primeiro a usar uma nova pernada durante o movimento, que permitia duas pernadas de propulsão a cada braçada. Logo, os brasileiros começaram a usar a nova técnica. O resultado, porém, só apareceu agora, quatro anos depois.

"Quando ele começou a conquistar resultados nadando assim, foi fácil convencer os atletas a tentarem o mesmo movimento. O problema foi conseguir acertar o movimento. Precisamos de um ano e meio para acertar a pernada, depois mais um ano e meio para coordenar a braçada e mais um ano para o trabalho de força", diz o técnico Arílson Soares.

Foi com essa técnica, por exemplo, que Felipe França quebrou o recorde mundial dos 50 m peito. E Tatiane Sakemi fez o oitavo melhor tempo do mundo. "No começo é muito difícil. Você precisa realmente acreditar no que está fazendo, porque você fica muito mais lento. Mas os resultados acabam aparecendo no final", diz Tatiane.

De volta aos velocistas, tanto Nicholas, quanto Flávia, já sentem as mudanças. "Eu estou com tempos muito legais", afirma o primeiro. "Nos treinos, eu nunca tive tempos tão bons. O problema é que essa será a primeira competição que vou fazer com a nova técnica", completa Flávia.

Compartilhe:

    Receba Notícias

    Hospedagem: UOL Host