Felipe França tornou-se o homem mais rápido do mundo, cravando o recorde mundial nos 50 m peito, com 26s89. No entanto, é neste fim de mês que terá seu maior desafio: manter o resultado e provar que é o melhor da prova, com o ouro no Mundial da Fina, em Roma, Itália. Para isso, algumas mudanças fundamentais foram feitas nos últimos meses de preparação, tanto na parte técnica, quanto na física, perdendo peso. Foi tanto trabalho, que agora ele curte a última fase de treinamentos: o descanso.
Rumo à capital italiana - a natação começa no dia 26 de julho -, os nadadores já fazem aclimatação em Rio Maior, em Portugal. Antes disso, o período de trabalhos foi intenso para Felipe França e seus companheiros no nado peito. Com o recorde conquistado no Troféu Maria Lenk, no Rio, o paulista e seu técnico, Arilson Soares, fizeram uma série de adaptações, para que ele possa manter-se no topo de sua prova.
Segundo Felipe, a maior diferença sentida foi com a diminuição de seu peso, entre 3 e 4 kg mais leve. "Eu emagreci bastante e por isso meu rendimento subiu nestes meses depois do Maria Lenk. Estou cada vez mais rápido e isso me motiva a tentar bater na frente no Mundial", explica o nadador.
"Felipe passou a ter uma preocupação muito maior com a alimentação, porque viu que quanto mais leve ele estiver, ainda mais rápido pode ser", acrescentou Arílson.
| TÉCNICO CONFIANTE APÓS SELETIVA DOS EUA |
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| O técnico do brasileiro Felipe França, Arílson Soares, mostrou confiança quanto aos resultados do país no Mundial, principalmente depois dos resultados vistos na seletiva dos Estados Unidos, ocorridos há dez dias. "Acho que a seletiva mostrou o que nós já tínhamos estabelecido no Maria Lenk, e muita gente duvidou. Muita gente creditou nossos resultados ao traje. Nossa posição não mudou, pouca gente entrou na frente dos nossos nadadores, então a condição do Brasil é de chegar forte ao Mundial. Nenhum dos nossos nadadores deve nada a nenhum outro", afirmou Arílson. |
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Não foi apenas na parte física que houve diferença. Junto ao técnico, Felipe fez modificações técnicas, na expectativa de seguir evoluindo. "Hoje, mudamos a braçada, eu fico mais reto na água e nado mais próximo à superfície. A pernada também mudou", enumerou o paulista de Suzano.
Se o trabalho foi duro para alterar tudo isso na preparação do nadador, a proximidade do Mundial faz com que o ritmo diminua. Anteriormente, Felipe França fazia nove treinos dentro d'água por semana, com quatro sessões de preparação física. Agora estes números diminuem, junto com a intensidade e a duração dos treinos.
Mandando a pressão para longe"Eu estou tranquilo desde que bati o recorde, porque já sabia que podia fazer aquela marca. Não fico me preocupando muito com o que falam, porque isso pode me atrapalhar para o Mundial e até mais para frente, nas Olimpíadas de 2012. Acaba sendo uma experiência para eu treinar e seguir bem com o meu trabalho", explicou ele, que tentará apenas "bater na frente" dos rivais, sem se preocupar com o tempo alcançado.
Arílson destaca as melhoras que esta "pressão" trouxe. O resultado de Felipe melhorou a motivação do grupo de peitistas brasileiro. "A pressão existe única e exclusivamente pelo resultado que ele alcançou. É cômodo ter um resultado médio. Quando você cria um bom resultado, a pressão vem, porque as pessoas esperam algo de você", explicou o técnico. "Tudo o que a gente propôs (ao grupo), hoje eles fazem de uma maneira mais forte e com mais qualidade, pois sabem que o trabalho traz resultado."
Além de Felipe, outros brasileiros tentarão brilhar no nado peito. No masculino, João Júnior (50 e 100 m), Henrique Barbosa (100 e 200 m) e Tales Cerdeira (200 m) integram a delegação. No total, o Brasil terá 28 atletas no Mundial de Natação.