Um dia após fazer história ao conquistar a primeira medalha feminina do Brasil no Mundial de Esportes Aquáticos, a nadadora Poliana Okimoto voltou nesta quarta-feira à praia italiana de Ostia, nos arredores de Roma, e esteve perto de repetir a façanha na maratona aquática de 10 km. Ela ficou em sétimo, mas a diferença para a primeira colocada foi de apenas quatro segundos.
A outra competidora brasileira, Ana Marcela Cunha, de 17 anos, sofreu com a luta durante a prova e acabou na 22ª colocação. Ela chegou a estar entre as cinco primeiras, mas não conseguiu sair do violento pelotão e, faltando 1.500 metros para o final, foi atingida e feriu o olho esquerdo.
"Estou aqui com a vista inchada e colocando gelo. Infelizmente isso faz parte da disputa e temos que aprender com as experiências. Está tudo bem. Ainda terei muitas competições pela frente" explicou Ana Marcela.
Poliana terminou a prova com o tempo de 2h01min41s5, enquanto a vencedora, a britânica Keri-Anne Payne, fez 2h01min37s1. A outra brasileira da prova, Ana Marcela Cunha, ficou em 22º lugar, com a marca de 2h02min06s4. Completaram o pódio a russa Ekaterina Seliverstova e a italiana Martina Grimaldi.
"Pancada teve durante a prova inteira. Foi horrível. Muita gente nadando junta e não tem como sair disso, mas de repente apareceu um monte de gente! Mesmo assim continuei num ritmo muito bom e meu final de prova também foi bom", declarou Poliana.
Na terça-feira, Poliana competiu na maratona aquática de 5 km e conseguiu a medalha de bronze ao chegar no terceiro lugar, após uma disputa acirrada com a russa Ekatarina Seliverstova, ela mediu braçadas com a espanhola Yurema Requena. Foi a primeira medalha do Brasil na competição desde 1994, e uma conquista inédita para a natação feminina.
"Apesar do resultado final ter sido um sétimo lugar, eu cheguei muito perto de todas. Eles tiveram que ver o photofinish para saber as colocações. Eu cansei um pouquinho da prova de ontem. Competir num ritmo muito forte em dois dias é bem difícil, mas as meninas que nadaram melhor hoje foram as que não nadaram ontem", completou.
De fato, apenas Poliana, a russa Ekaterina Seliverstova (5ª nos 5 km) e a Venezuela Andreina Perez (7ª nos 5 km e 4ª nos 10 km) chegaram entre as 10 primeiras colocadas nas duas provas de maratona.
Prova masculina sob investigaçãoA prova masculina, disputada logo depois da feminina nas águas da praia de Ostia, está sob investigação. A medalha de ouro ficou com o alemão Thomas Lurz, campeão também dos 5km, e a prata com o norte-americano Andrew Gemmel.
O bronze, na água, ficou com outro atleta dos EUA, Francis Crippen, mas esse resultado é contestado pelos italianos. Na última bóia, que marca a linha de chegada, ele passou por fora, ao errar o percurso. O time da Itália pede sua desclassificação. Se confirmada, o bronze iria para o italiano Valerio Cleri.
*Atualizada às 11h00