Poliana Okimoto chegou nesta quinta-feira a São Paulo com a medalha de bronze do Mundial de Roma no peito e um plano se formando na cabeça. Credenciada por três medalhas nas provas de maratonas aquáticas em mundiais, ela agora começa a projetar o trajeto até as Olimpíadas de Londres, em 2012.
| APÓS A MEDALHA, DÚVIDA PARA SEGUNDA MARATONA |
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Na Itália, Poliana Okimoto disputou duas maratonas aquáticas em dois dias seguidos. Ela, porém, ficou muito perto de desistir da segunda prova, de 10km, em que ficou em sétimo lugar. Ela passou mal durante a noite, teve dores de cabeça e pensou em deixar a competição.
"Eu cheguei a perguntar ao meu técnico se teria condições de competir, mas ele me deu muita força, me disse para ficar tranqüila. Mas no fim da prova, faltou energia para o sprint final, que é o meu forte", conta a nadadora, que ficou a 4 segundos da vencedora.
"É impossível se recuperar de uma prova dessas em um dia. Ela ficou com muita dor de cabeça e faltou energia. O que fizeram foi um absurdo, mas é compreensível. Eles tinham a informação de que chegaria outro temporal se colocassem dois dias entre cada uma das provas", completa Ricardo Cintra.
Toda a estrutura para as maratonas na praia de Ostia foi destruída um dia antes da competição e as disputas foram reorganizadas. As atletas tiveram de largar do mar, não da plataforma que costuma ser usada. A chegada foi feita com uma faixa simples, não com os blocos eletrônicos, que ficaram completamente destruídos com as ondas gigantes. |
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VEJA FOTOS DA CONQUISTA |
POLIANA É BRONZE NOS 5KM |
MAS FICA EM 7º LUGAR NOS 10 |
O terceiro lugar na prova dos 5km na praia de Ostia, perto de Roma, foi o primeiro pódio feminino do Brasil em Mundiais de Esportes Aquáticos e quebrou um jejum de 14 anos sem medalhas do país. Para comemorar, recebeu flores e um abraço da mãe, dona Cleonice, o que surpreendeu a medalhista. "Ela nunca está aqui, dentro do aeroporto. Sempre me faz procurar por ela no estacionamento", contou Poliana.
Após a recepção, porém, já começou a falar os planos. Em dez dias, volta para a Europa, para uma série de três competições. Uma delas, especial: em Londres, vai competir no mesmo percurso que será usado nas Olimpíadas de 2012. "A prova não vai valer pelo circuito mundial, mas como será no percurso das Olimpíadas, resolvemos ir até lá e conhecer", explica seu técnico e marido, Ricardo Cintra.
"Até o final do ano, vou competir em todas as etapas da Copa do Mundo. O objetivo é continuar na liderança", diz a nadadora paulista, primeira colocada na lista das Copas do Mundo de 10km. No mês passado, venceu uma prova em Portugal. Os próximos desafios são em Varna, na Bulgária, no dia 8 de agosto, e no lago Annecy, na França, quatro dias depois.
"Não vai dar tempo nem de descansar. Vamos já voltar com um trabalho regenerativo na piscina e depois viajar. E é isso que mais cansa. A viagem é longa e o local é distante", conta Cintra.
A medalha também aumentou a confiança de Poliana. Após dois vice-campeonatos no mundial específico de maratonas aquáticas em Nápoles, em 2006, ela falhou, na batida de mão, na disputa pelo ouro do Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007, e ficou de fora do pódio no Mundial de Melbourne, em 2007, e nas Olimpíadas de Pequim-2008.
"A gente sabia que essa medalha podia vir, mas é sempre uma surpresa. Agora, já posso começar a pensar em Londres. Ainda tem muita água para comer até a Olimpíada, mas não tenho dúvida de que posso seguir competitiva e brigar pelas primeiras competições até lá. Nos últimos anos, eu tenho sido sempre regular e isso mostra que eu ainda tenho muita coisa pela frente", afirma.
Pela medalha, ela receberá R$ 10 mil do patrocinador da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Segundo ela, é um reconhecimento merecido, pelo esforço que cada atleta faz para chegar ao alto rendimento. "É um trabalho exaustivo e, às vezes, não tem retorno financeiro", analisa. "Meu prêmio vai para a poupança, para comprar meu apartamento".