UOL Esporte Natação
 
27/07/2009 - 07h05

Após "quase" no primeiro dia, Brasil testa favoritismo e zebra em Roma

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
No domingo, na abertura da natação no Mundial de Roma, o Brasil quase foi ao pódio. No revezamento 4x100m livre, César Cielo ficou perto do recorde mundial da distância, mas os brasileiros chegaram a um quarto lugar, após ser o melhor das eliminatórias.

Campeão olímpico, Cielo saiu decepcionado. "Trocaria o recorde para dividir o pódio com esses caras". As chances de medalha por equipes podem ter ficado por terra, atrás de norte-americanos, russos e franceses, mas nesta segunda-feira, o Brasil disputa três finais e pode voltar ao pódio.

"Foi quase. Mas quase assim, como foi, é muito bom. Todos nós melhoramos os nossos tempos e só não fomos ao pódio porque os outros eram muito fortes", lembra Fernando Silva, que fechou a equipe.

A última vez que um atleta brasileiro conquistou uma medalha em piscinas em um Mundial da Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos) foi em 1994, com a equipe do revezamento 4x100m livre. A equipe tinha Gustavo Borges, Fernando Scherer, Teófilo Ferreira e André Teixeira. Até agora, são seis medalhas verde-amarelas em mundiais de piscina longa (50m). Na semana passada, Poliana Okimoto, fundista nas piscinas, foi bronze no mar da praia de Ostia, na prova dos 5km de maratonas aquáticas.

Nesta segunda, dois brasileiros dividem as esperanças dos nadadores do país. O primeiro a entrar na água é Henrique Barbosa, para a final dos 100m peito, às 13h00. Uma das sensações do Troféu Maria Lenk, em maio, ele deixou as piscinas do complexo de Jacarepaguá como o melhor do mundo em duas provas, os 100m e os 200m peito.

Desde então, outros nadadores o superaram, mas ainda assim, chegou ao Mundial com o 3º melhor tempo do ano na prova. Em Roma, ainda não nadou bem. O foco apresentado no Rio ainda não apareceu na piscina do Foro Itálico. Nas eliminatórias, errou muito. Na semifinal, achou que a série estava rápida. Não estava. "Todo mundo estava junto. Mas quando terminei a prova e olhei para o placar, fiquei assustado com o tempo. Pelo menos, deu para entrar na final", afirmou o nadador.

Henrique, mais uma vez, sofreu com as largadas. Seu tempo de reação ao tiro de largada na semifinal (0s81) foi o segundo pior entre todos os semifinalistas. "Eu tenho sofrido com isso desde que tive uma hérnia de disco. Tentei trocar o pé, mudar a posição, mas ainda falta acertar alguma coisa", explica.

Depois de Henrique, é a vez de Gabriella Silva, na final dos 100m borboleta, logo na sequência. A brasileira passou mal em Roma, teve uma infecção intestinal e mal comeu entre sábado e domingo. Prejudicada por ter de disputar sua primeira prova ainda em recuperação, nadou as eliminatórias, pela manhã, sem ter conseguido comer nada sólido por mais de 24 horas. À tarde, se recuperou, comeu, dormiu e foi à final em sétimo lugar. "Achava que não ia conseguir. Mas depois, à tarde, fui me sentindo mais forte", conta a atleta, finalista olímpica em Pequim.

Depois, quem entra em cena é a zebra do país. Especialista nos 50m livre, Nicholas Santos surpreendeu nos 50m borboleta (com final às 14h00). Muito rápido, ele quebrou dois recordes sul-americanos na competição e chegou à decisão com o terceiro melhor tempo do dia. Só ficou atrás do recordista mundial Rafael Muñoz e do vice-campeão olímpico (dos 100m borboleta) Milorad Cavic.

"É a minha primeira final de Mundial", diz o nadador. "Eu acho que ainda é possível melhorar. Estou nadando pela primeira vez com esse traje e ele é mesmo muito rápido. Se tivesse nadado com ele no Maria Lenk, acho que teria me classificado nos 100m (livre) também", completa. Patrocinado pela Speedo, Nicholas nadou as seletivas brasileiras com o LZR. Em Roma, recebeu permissão para competir com o Jaked do time brasileiro.

A tarde tem ainda finais dos 200m medley feminino (Joanna Maranhão parou nas semifinais) e semifinais dos 100m costas feminino e masculino, 100m peito feminino e 200m livre masculino.

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