"Você fica com o bebê no colo, chacoalhando para dormir. No dia seguinte, não percebe o quanto esta cansado". Foi assim que o brasileiro Rodrigo Castro, que apagou do livro dos recordes brasileiros a última marca de Gustavo Borges, no ano passado, explicou sua participação no Mundial de Roma. Nesta segunda-feira, o mineiro não passou das eliminatórias de sua especialidade, os 200m livre.
A manhã dos brasileiros no Foro Itálico, aliás, só foi salva por Fabíola Molina. A veterana de 34 anos, a mais velha da delegação verde amarela, foi a única do país a se classificar nesta segunda-feira. Ela foi à semifinal dos 100m costas, algo que não conseguia desde o Mundial de 1998, em Perth, na Austrália.
"Em meu primeiro Mundial, há 11 anos, eu fui para a semifinal, mas depois, nunca mais. Só conseguia chegar nos 50m. Hoje, não consegui superar meu tempo, mas fiquei a dois décimos dele, o que é bem legal", afirmou a nadadora de São José dos Campos.
Após passar a noite sofrendo com dores de cabeça, ela marcou 1min00s53. A melhor da prova foi a britânica Gemma Spofforth, com 58s78. Para chegar à final, a brasileira terá de melhorar muito seu tempo. "Acho que dá para melhorar. Para chegar na final, tenho que fazer 59 segundos. Vou conversar com meus técnicos e ver o que acontece", disse Fabíola - seu recorde sul-americano é de 1min00s51.
Os outros brasileiros que nadaram na manhã desta segunda-feira ficaram nas eliminatórias. Carolina Mussi, com 1min08s66 nos 100 m peito, foi apenas a 25ª colocada. Estreante em mundiais, a nadadora de 20 anos teve problemas no treinamento e desenvolveu bursite no ombro esquerdo.
"Logo depois do Maria Lenk (em que conseguiu a vaga), tive de parar de treinar. Fiquei um mês sem trabalhar braçada. Hoje ainda não consigo levantar o braço, nadar crawl", contou Carolina. Tatiane Sakemi, com 1min09s58, foi a 35ª. "Não consegui voltar. Estou mais rápida do que resistente. Vamos esperar para quinta-feira", disse. Ela ainda nada os 50m peito.
Nos 200m livre, Nicolas Oliveira foi o 18º, com 1min47s55. "Treinei para nadar muito melhor", lamentou. Já Rodrigo Castro explicou o desempenho ruim (1min48s62, 30º lugar) com seus filhos, um casal de gêmeos que nasceu em março. "Eles nasceram nesse ano. Foram quatro meses sem treinar direito", falou o nadador. "Você fica 60 dias sem dormir. Uma hora pifa".
Guilherme Guido, nos 100m costas, saiu decepcionado da piscina. Ele foi apenas o 18º, com um tempo (54s17) dois décimos acima de seu recorde pessoal (53s99). "Eu podia nadar melhor. Não sei o que aconteceu. Vou ter que rever a prova com o Albertinho (Alberto Silva, técnico da equipe brasileira) e analisar", afirmou o nadador. O outro brasileiro na disputa, Leonardo Guedes, foi o 25º, com 54s64.