| "QUANDO DESLIZEI NA CHEGADA, SABIA QUE TINHA PERDIDO" |
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 Gabriella Silva conquistou um feito, mesmo não estando em suas melhores condições |
Você chegou muito perto da terceira colocada, apesar do quinto lugar. Você sabia que a medalha era possível? Eu estava me sentindo superbem. Não travei no fim da prova, me senti crescendo, muito forte. Não sabia como estavam as minhas adversárias, mas como não tinha muita água na minha frente, sabia que estava na briga. Mas quando fiz a chegada deslizando, vi que tinha perdido.
Você ficou decepcionada, mesmo melhorando seu tempo e fazendo um inédito quinto lugar? Eu sou injusta comigo. Cobro demais. Já fiz competições doente, machucada. Independente do meu estado físico, a cabeça sempre cobra. Isso é bom para antes de nadar. Não penso no que deixei de fazer ou nas coisas ruins que aconteceram. Só na minha prova. Fiz uma prova boa, mas errei a chegada. O problema é ter cometido um erro.
Você passou em primeiro lugar na virada. Era possível vencer a prova? Foi estratégia. As meninas estavam passando com a recordista mundial, mas ela volta muito forte. Então, sabia que devia fazer 100% na ida ou não estaria na briga no finalzinho. E como eu sou menor, tenho vantagem. As outras (nadadoras) são grandonas e cansam mais. Passei o mais forte que podia, fiz a prova inteira como imaginei. Mas a chegada foi horrível. |
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NICHOLAS SANTOS TAMBÉM É QUINTO |
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Lembra da final dos 100m borboleta em Pequim? A prova que o fenômeno norte-americano Michael Phelps achou que tinha perdido, mas ganhou, na batida de mão, de Milorad Cavic? A brasileira Gabriella Silva praticamente copiou o sérvio nesta segunda-feira.
Nos 100m borboleta feminino, ela errou a chegada e, como Cavic, deslizou em um espaço que comportaria outra braçada. Perdeu a medalha de bronze. Mesmo assim, o quinto lugar foi o melhor da história da natação feminina do Brasil em um Campeonato Mundial. Antes dela, Nayara Ribeiro tinha sido a oitava colocada nos 1500m livre em Fukuoka, em 2001.
"Não tem jeito. Eu me cobro demais. Eu sei que o quinto lugar é importante, mas eu saio como se tivesse perdido uma medalha. Eu sei que poderia ter sido bronze", afirmou a nadadora carioca de 20 anos.
Orgulhoso da pupila, o técnico Alberto Santos, o Albertinho, reviu a prova em câmera lenta poucas horas depois. Ao lado do biomecânico Paulo César Marinho, constatou o problema. "Foi igualzinho ao Phelps. Se ela tivesse dado a braçada, teria chegado na chinesa. E posso falar isso porque as duas estavam lado a lado", afirmou o treinador.
"É uma pena, é claro, mas ela tem que saber que o que ela fez pela natação feminina é muito importante. Hoje ela teve atitude de vencedora, fez a prova que nós traçamos e poderia ter conquistado um pódio. Ela mostrou que a natação feminina do Brasil pode e está muito perto de um pódio", elogiou.
Segundo Albertinho, Gabriella foi perfeita na estratégia. Os dois sabiam que a carioca poderia surpreender se fizesse os primeiros 50 metros em ritmo rápido. "Normalmente, as meninas acompanham o ritmo da recordista mundial, mas a sueca (Sarah Sjostrom) é muito boa na volta. Como eu sou pequena, queria surpreender, passar rápido e tentar segurar. Deu certo até a chegada".