UOL Esporte Natação
 
28/07/2009 - 12h32

Após intoxicação alimentar, brasileiros proíbem molho na terra do macarrão

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
A equipe brasileira de natação está na Itália, a terra da macarronada, mas não pode aproveitar completamente a iguaria. Desde sexta-feira, quando três membros da delegação apresentaram sintomas de intoxicação alimentar, todos os nadadores foram aconselhados a evitar molhos. Incluindo o "pomodoro", que fez a fama das massas pelo mundo.

Gabriella Silva ficou dois dias passando mal, sem comer, e quase desmaiou em suas eliminatórias. Felipe França teve febre e vômitos. Henrique Barbosa foi o menos atingido, relatando indisposição.

"Foram sintomas típicos de intoxicação alimentar, o que mostra que algum alimento estava contaminado. Até tentamos descobrir a causa, mas não conseguimos apontar nenhuma comida. Então, a solução foi proibir as comidas que tinham mais chance de ser contaminadas", explicou o médico da seleção, Marcos Benhoeerft.

A lista negra das comidas elaborada pelos brasileiros tem iogurte, molhos, cremes e saladas. A seleção está em um hotel junto com outras delegações, incluindo França e Canadá. As refeições são feitas todas no mesmo salão, em um grande buffet. O molho de tomate e o iogurte ficam expostos, em grandes tinas.

"O ideal é comer os alimentos mais sólidos possíveis. E evitar os vidros abertos. Não sabemos como é o armazenamento e esses alimentos são muito fáceis de contaminar", contou o médico.

Nesta terça-feira, Felipe França estreou na competição. Não teve os mesmos problemas de Gabriella, que quase desmaiou em uma de suas provas. Mas relatou fraqueza. "Quando larguei, não senti a força para dar o máximo". Segundo seu técnico, foi muito mais psicológico do que físico. "Ele já está bem. Não vai ser um dia que vai apagar 60 de treinamentos. Mas a cabeça acaba sempre sendo um pouco afetada", analisou Ari Soares.

Esquema de guerra para Gabriella

O bom desempenho de Gabriella nos 100m borboleta, em que foi quinta colocada, foi uma surpresa para quem acompanhou o sofrimento da nadadora. Ela ficou quase dois dias sem comer e dormir direito. Disputou as eliminatórias muito debilitada.

"Não chegamos a conversar sobre ela desistir da prova porque desde o início ela insistiu que iria competir. Mas se ela me dissesse que não se sentia forte para nadar, seria mais do que compreensível", lembrou o médico. "Eu fiquei bem preocupado com ela nas eliminatórias. Fiquei ao seu lado até o aquecimento, sempre com soro, para que ela se hidratasse. E durante a prova, sentei perto da piscina, para estar próximo se algo acontecesse. Ela poderia desmaiar", completou.

Apesar disso, tanto Gabriella quanto seu técnico, Alberto Silva, o Albertinho, negam que o rendimento, pelo menos na final, foi prejudicado. "Eu fiquei com medo nas eliminatórias. Mas na final, ela nadou o que sabia", disse Albertinho.

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