A equipe brasileira de natação está na Itália, a terra da macarronada, mas não pode aproveitar completamente a iguaria. Desde sexta-feira, quando três membros da delegação apresentaram sintomas de intoxicação alimentar, todos os nadadores foram aconselhados a evitar molhos. Incluindo o "pomodoro", que fez a fama das massas pelo mundo.
Gabriella Silva ficou dois dias passando mal, sem comer, e quase desmaiou em suas eliminatórias. Felipe França teve febre e vômitos. Henrique Barbosa foi o menos atingido, relatando indisposição.
"Foram sintomas típicos de intoxicação alimentar, o que mostra que algum alimento estava contaminado. Até tentamos descobrir a causa, mas não conseguimos apontar nenhuma comida. Então, a solução foi proibir as comidas que tinham mais chance de ser contaminadas", explicou o médico da seleção, Marcos Benhoeerft.
A lista negra das comidas elaborada pelos brasileiros tem iogurte, molhos, cremes e saladas. A seleção está em um hotel junto com outras delegações, incluindo França e Canadá. As refeições são feitas todas no mesmo salão, em um grande buffet. O molho de tomate e o iogurte ficam expostos, em grandes tinas.
"O ideal é comer os alimentos mais sólidos possíveis. E evitar os vidros abertos. Não sabemos como é o armazenamento e esses alimentos são muito fáceis de contaminar", contou o médico.
Nesta terça-feira, Felipe França estreou na competição. Não teve os mesmos problemas de Gabriella, que quase desmaiou em uma de suas provas. Mas relatou fraqueza. "Quando larguei, não senti a força para dar o máximo". Segundo seu técnico, foi muito mais psicológico do que físico. "Ele já está bem. Não vai ser um dia que vai apagar 60 de treinamentos. Mas a cabeça acaba sempre sendo um pouco afetada", analisou Ari Soares.
Esquema de guerra para GabriellaO bom desempenho de Gabriella nos 100m borboleta, em que foi quinta colocada, foi uma surpresa para quem acompanhou o sofrimento da nadadora. Ela ficou quase dois dias sem comer e dormir direito. Disputou as eliminatórias muito debilitada.
"Não chegamos a conversar sobre ela desistir da prova porque desde o início ela insistiu que iria competir. Mas se ela me dissesse que não se sentia forte para nadar, seria mais do que compreensível", lembrou o médico. "Eu fiquei bem preocupado com ela nas eliminatórias. Fiquei ao seu lado até o aquecimento, sempre com soro, para que ela se hidratasse. E durante a prova, sentei perto da piscina, para estar próximo se algo acontecesse. Ela poderia desmaiar", completou.
Apesar disso, tanto Gabriella quanto seu técnico, Alberto Silva, o Albertinho, negam que o rendimento, pelo menos na final, foi prejudicado. "Eu fiquei com medo nas eliminatórias. Mas na final, ela nadou o que sabia", disse Albertinho.